O dólar entra na segunda metade de 2026 sem direção clara, mas com espaço para leves valorizações, conforme avaliam especialistas. Tensões geopolíticas, o calendário eleitoral brasileiro e as decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil mantêm o câmbio sujeito a oscilações nos próximos meses.
Desempenho recente e comparação global
Um levantamento da Elos Ayta Consultoria mostra que, no acumulado de 2026 até 3 de agosto, o real se valorizou 8,48% frente ao dólar, sendo a segunda maior alta entre moedas principais, atrás apenas do peso colombiano, que subiu 19,49%. No mesmo período, o DXY — índice que mede a força do dólar diante de uma cesta de moedas fortes — avançou 1,61%, indicando que o dólar perdeu terreno no Brasil em relação a outras moedas.
Primeiro semestre marcado por volatilidade
Analistas consultados afirmam que a trajetória do primeiro semestre teve recuos do dólar com episódios de picos pontuais. Emerson Vieira Junior, da Convexa Investimentos, diz que o câmbio começou o ano perto de R$ 5,45 e passou a operar em níveis significativamente mais baixos, mas que os picos de alta foram reações a episódios de estresse — entre eles a guerra no Oriente Médio e o início da precificação das eleições a partir de maio.
Raissa Florence, diretora executiva da Oz Câmbio, aponta que fatores externos, como maior aversão ao risco em razão de tensões geopolíticas, a postura restritiva do Fed e disputas comerciais dos EUA, além de preocupações fiscais e o risco eleitoral no Brasil, explicam a volatilidade elevada observada.
Diego Hernandez, economista e sócio da Ativo Investimentos, observa que a queda do dólar no semestre não foi linear, mas resultou de um movimento com tendência definida e episódios de reversão.
Projeções para o restante de 2026
O Boletim Focus do Banco Central indica expectativa de mercado de dólar a R$ 5,20 no fim de 2026. Entre os especialistas, há visões distintas: Raissa Florence projeta um dólar fechando 2026 por volta de R$ 5,50, em faixa entre R$ 5,40 e R$ 5,60, com viés de leve valorização e maior volatilidade no segundo semestre. Vieira vê espaço para alta até novembro, seguindo padrão observado em anos eleitorais, e ressalta que o comportamento após as eleições dependerá da viabilidade e do tom das propostas fiscais do vencedor. Hernandez estima valor próximo de R$ 5,30, apoiado no diferencial de juros reais entre Brasil e EUA, considerando um possível corte de 0,25 ponto na Selic e alta similar nas taxas americanas.
Riscos e fatores de alta ou baixa
Os especialistas indicam que elementos externos — inflação persistente nos EUA, juros elevados do Fed, tensões geopolíticas e desaceleração global — podem aumentar a demanda por dólar como ativo-refúgio. Entre os riscos domésticos citados estão deterioração fiscal, perda de credibilidade das contas públicas, aumento da incerteza política e menor ingresso de investimento estrangeiro. Eventos adicionais mencionados como potencial gatilho de risco são o fenômeno climático El Niño e casos de instabilidade institucional.
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Para que o dólar recue, os analistas apontam como necessários sinais simultâneos de melhora externa e doméstica, como cortes de juros americanos, redução das tensões geopolíticas, fluxo de capitais estrangeiros e confiança fiscal, além de preços favoráveis das commodities que fortaleçam a balança comercial brasileira.
Dolarização como estratégia
Há consenso entre os especialistas de que a dolarização deve ser tratada como estratégia de diversificação de longo prazo, e não como tentativa de timing do câmbio. Florence recomenda construir posição em dólares de forma gradual por meio de aportes periódicos. Vieira aconselha metas de compra regulares — por exemplo, destinar 20% de cada novo aporte — ou remessas fracionadas ao longo de meses para quem já tem capital acumulado, evitando concentrar compras em um único momento.
Com o avanço do calendário eleitoral, os analistas concordam que a volatilidade deve permanecer como fator dominante no mercado cambial até dezembro, reforçando a importância da diversificação na carteira.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6