TRANSMISSÃO: Space

A SpaceX estreia na Nasdaq nesta sexta-feira (12) com uma oferta pública inicial que pode se tornar a maior da história, ao buscar entre US$ 75 bilhões e US$ 86 bilhões. A operação prevê a emissão de 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada, que serão negociadas sob o ticker SPCX, e colocaria a companhia em bolsa com avaliação próxima a US$ 1,8 trilhão.

Segundo a Bloomberg, a demanda pela oferta já supera em múltiplas vezes o volume disponível, mesmo com a empresa apresentando prejuízos no curto prazo. Analistas interpretam o IPO como um teste sobre até que ponto o mercado pagará por um modelo de negócios que combina lançamentos espaciais, constelações de satélites, conectividade global e inteligência artificial.

Desempenho financeiro e negócios

No primeiro trimestre de 2026, a SpaceX registrou receita de US$ 4,7 bilhões e prejuízo de US$ 4,3 bilhões. Em 2025, a receita anual foi de US$ 18,7 bilhões, alta de 33% sobre 2024, porém a empresa fechou o ano com prejuízo de US$ 4,9 bilhões, após ter registrado lucro de US$ 791 milhões em 2024.

Por outro lado, a receita média por usuário caiu de US$ 99 em 2023 para US$ 66 no primeiro trimestre de 2026, indicando que o crescimento ocorreu mais por aumento de base do que por elevação de preços.

Espaço e IA

Na área de lançamentos, a SpaceX dominou a massa enviada à órbita em 2025, respondendo por 83% do total e realizando 165 lançamentos, equivalentes a 51% das missões globais. Já a divisão de inteligência artificial registrou receita de US$ 3,2 bilhões em 2025, mas apresentou prejuízo operacional de US$ 6,35 bilhões. Em prática, os fluxos de caixa da Starlink têm financiado a expansão agressiva da unidade xAI.

Os dados de capex mostram prioridade na IA: em 2025, os investimentos foram de US$ 3,8 bilhões em espacial, US$ 4,2 bilhões em conectividade e US$ 12,7 bilhões em IA. No primeiro trimestre de 2026, a concentração aumentou, com US$ 1,1 bilhão no segmento espacial, US$ 1,3 bilhão em conectividade e US$ 7,7 bilhões em IA. No prospecto, a empresa afirma que pretende usar recursos do IPO para ampliar infraestrutura de computação para IA, melhorar lançamentos e expandir constelações de satélites.

Valuation e expectativas

Ao preço de oferta, a SpaceX entra no mercado com múltiplo de aproximadamente 94 vezes a receita de 2025, nível muito acima de grandes empresas de tecnologia lucrativas. A Morningstar calcula valor justo de US$ 63 por ação, 53% abaixo do preço indicativo de US$ 135, e afirma que parte do preço paga um “prêmio de opção” por projetos futuros, em especial infraestrutura de IA em órbita.

No prospecto, a companhia estima um mercado endereçável de US$ 28,5 trilhões, dos quais US$ 26,5 trilhões seriam atribuídos à IA, mas não detalha como competirá de forma lucrativa com players consolidados nesse segmento.

SpaceX estreia na Nasdaq em oferta que testa valor das apostas em IA, satélites e foguetes

Imagem: Divulgação

Quem pode participar e riscos

Até 30% da oferta pode ser destinada a investidores de varejo nos EUA, fatia incomum para IPOs desse porte. No Brasil, o prospecto limita a oferta a investidores profissionais brasileiros, definidos pela CVM como aqueles com mais de R$ 10 milhões em investimentos financeiros. A aquisição deve ocorrer por meio de conta em corretora no exterior, com liquidação em moeda estrangeira, e a negociação em mercados regulados brasileiros é proibida.

Nos EUA, corretoras como Fidelity, Robinhood, SoFi e E*TRADE são canais previstos para o varejo. A Fidelity reduziu o requisito mínimo de ativos de US$ 500 mil para US$ 2 mil para esta oferta; Robinhood, SoFi e E*TRADE não exigem mínimo. Para investidores brasileiros com conta nessas plataformas, a exigência de qualificação como investidor profissional permanece.





Depois do IPO, Elon Musk continuará no controle com cerca de 82,4% do poder de voto por meio das classes de ações, o que conferirá à SpaceX o status de “controlled company” na Nasdaq e permitirá algumas isenções de governança. O prospecto indica que os acionistas Classe A não terão as mesmas proteções de governança aplicadas a empresas sujeitas a todas as exigências da bolsa.

Há ainda risco de pressão vendedora futura: as ações de Musk estarão sujeitas a lock-up de 366 dias, e mais de 63% das ações em circulação antes da oferta ficarão travadas por mais de um ano. Analistas também alertam para forte volatilidade nos primeiros dias de negociação e para a possibilidade de o papel abrir acima dos US$ 135 da oferta. Alternativa indireta de exposição seria via ETFs, caso a SpaceX seja incluída rapidamente em índices como Nasdaq 100 ou FTSE Russell; a Nasdaq permitiu inclusão em 15 dias de negociação e a FTSE Russell pode efetivar em cinco dias.

A oferta, portanto, serve como avaliação pela preferência do mercado por um portfólio que mistura negócios em estágios distintos: a Starlink já rentável, a operação de lançamentos com liderança clara, e uma aposta em IA que ainda consome capital.

Com informações de Investnews