Quem: trabalhadores e consumidores que vivenciam a pressão por otimização constante.

O quê: A pressão para melhorar continuamente sono, alimentação, desempenho e produtos pode ser exaustiva e prejudicar bem-estar e produtividade; estudos antigos e recentes sustentam que aceitar resultados “bons o suficiente” pode ser mais vantajoso do que perseguir perfeição.

Quando: A percepção sobre esse limite foi ilustrada em uma reflexão pessoal ocorrida às 8h50 (Brasília UTC-3). Transmissão: Max.

ÀS VEZES, MENOS É MAIS

Pessoa comum e ambiente profissional enfrentam uma demanda crescente por otimização de todos os aspectos da vida. Essa busca por resultados máximos consome tempo e energia e tira parte da satisfação de viver e criar. Pesquisas em psicologia e economia mostram que, em muitos casos, uma versão menos refinada pode superar uma excessivamente aperfeiçoada.

O economista Herbert A. Simon, laureado com o Prêmio Nobel, introduziu em 1956 o conceito de satisficing, argumentando que a busca pelo resultado ideal é inviável diante de limites de tempo e capacidade cognitiva. Em 2002, um grupo liderado pelo psicólogo Barry Schwartz publicou, no Journal of Personality and Social Psychology, estudos que diferenciam dois perfis de decisão: maximizadores e satisficientes.

Os maximizadores tentam sempre obter a melhor escolha possível, o que, segundo a pesquisa, pode resultar em maior estresse, arrependimento e insatisfação. Já os satisficientes selecionam a primeira alternativa que atende aos critérios mínimos e seguem adiante, o que tende a reduzir desgaste emocional e manter ritmo de trabalho.

No ambiente profissional, maximizadores são valiosos em tarefas que exigem atenção aos detalhes, como conformidade regulatória e gestão de riscos. No entanto, quando velocidade e fluidez são essenciais, o comportamento satisficiente costuma ser mais eficaz.

O valor do “bom o suficiente” contra a pressão de otimizar tudo

Imagem: Créditos Matheus Bertelli/ Pexels

COMO REDUZIR O EXCESSO DE OTIMIZAÇÃO

O texto propõe não uma queda de padrões, mas aceitar maior imperfeição quando o perfeccionismo compromete prazer e qualidade. Sugere avaliar se um projeto precisa de etapas adicionais de aprovação ou se o processo pode ser simplificado para agilizar entregas a diretores, clientes ou consumidores.

Práticas recomendadas incluem definir limites antes de começar — por exemplo, permitir apenas duas revisões de um documento — e enviar comunicações que já demandaram tempo demais. O autor observa que ferramentas de monitoramento, como relógios que acompanham o sono, podem prejudicar o descanso se usados de forma obsessiva, e recomenda retirá-los se isso ocorrer.

Da próxima vez que você considerar adicionar mais uma revisão a um trabalho já aceitável, pergunte se isso melhora efetivamente o resultado ou apenas adia o desconforto de aceitar algo pronto, ainda que menos perfeito.

Com informações de Fastcompanybrasil