Dois estudos publicados nas revistas PNAS e Science Advances revelam que hominídeos europeus criavam instrumentos complexos entre 430 mil e 500 mil anos atrás, muito antes da chegada do Homo sapiens ao continente. As pesquisas identificaram ferramentas de madeira e um martelo de osso de elefante ou mamute, ampliando o entendimento sobre as primeiras técnicas de fabricação pré-históricas.
Descoberta das ferramentas de madeira
O estudo divulgado pela PNAS detalha a escavação realizada em Marathousa 1, na bacia de Megalópolis, sul da Grécia. Datado do Pleistoceno Médio (entre 478 mil e 424 mil anos atrás), o sítio arqueológico apresentou dezenas de fragmentos de madeira preservados em condições excepcionais. Entre eles, pesquisadores destacam uma vara de escavação feita de amieiro e um galho de álamo ou salgueiro entalhado.
Análises microscópicas e tomografias confirmaram marcas de corte e entalhe, indicando intervenção humana intencional. Os artefatos foram associados a atividades de abate de grandes animais, como elefantes de presas retas, hipopótamos e tartarugas, sugerindo uso integrado de ferramentas de madeira e pedra.
Martelo de osso no sul da Inglaterra
Em paralelo, pesquisa publicada na Science Advances descreve um martelo de cerca de 10 centímetros encontrado em Boxgrove, no sul da Inglaterra. Fabricado com osso de elefante ou mamute ainda fresco, o artefato apresenta sinais de impacto e pequenas partículas de sílex incrustadas, evidências de uso repetido para lascar pedras – etapa fundamental na obtenção de bifaces e outros instrumentos de pedra lascada.
Antes considerado exclusivo de regiões mais quentes e períodos mais recentes, o uso de osso de grandes mamíferos na Europa agora é confirmado em contextos bem mais antigos, distribuindo novos elementos ao registro arqueológico.
Implicações para o estudo da evolução humana
Os autores dos estudos apontam que essas descobertas reforçam a versatilidade tecnológica dos hominídeos pré-Homo sapiens, provavelmente neandertais primitivos ou Homo heidelbergensis. A variedade de matérias-primas – além do sílex, amplamente registrado – demonstra uma relação complexa com o ambiente e capacidade de inovação muito antes do surgimento da nossa espécie.
Imagem: Divulgação
A preservação limitada de madeira e osso explicaria a escassez de achados semelhantes até então, e não necessariamente a ausência dessas ferramentas no cotidiano de grupos pré-históricos.
As pesquisas não apenas ampliam o leque de materiais usados pelos primeiros habitantes da Europa, mas também fornecem novas pistas sobre as origens da inteligência e da habilidade técnica dos hominídeos.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6