CUPERTINO, Califórnia — Chris Espinosa, que começou a trabalhar na Apple aos 14 anos, permanece na empresa cinco décadas depois e oferece um relato de quem acompanhou desde perto a trajetória da fabricante do iPhone. Em 1976, o jovem percorria cerca de 2,5 km de mobilete Puch toda quarta-feira para demonstrar o primeiro computador da companhia; hoje, aos 64 anos, ele integra a equipe que cuida do sistema operacional da Apple TV.

Espinosa tornou-se o oitavo funcionário da organização fundada por Steve Jobs e Steve Wozniak, quando a produção ainda era artesanal, realizada inclusive na casa da infância de Jobs. Ao longo de 50 anos, acompanhou fases de crescimento, quedas e a consolidação da empresa como uma das maiores do mundo.

A Apple completou 50 anos em 1º de abril de 2026. Atualmente avaliada em cerca de US$ 4 trilhões, a empresa registra lucros anuais superiores a US$ 100 bilhões e tem aproximadamente 2,5 bilhões de dispositivos — entre celulares, tablets, computadores, fones e relógios — em uso globalmente. Esses produtos transformaram setores como computação e entretenimento e estabeleceram padrões para cadeias de fornecimento e varejo tecnológico.

Parte da história financeira pessoal de Espinosa está ligada ao chamado “Plano Woz”: as 2.000 ações que Wozniak lhe ofereceu pouco depois do IPO de 1980 teriam, na cotação atual referida no texto original, uma valorização individual de quase US$ 57.000, totalizando cerca de US$ 114 milhões. Espinosa não detalhou seu patrimônio.

O relato também recorda momentos críticos da Apple. Espinosa fez uma pausa em 1978 para estudar na Universidade da Califórnia, Berkeley, mas continuou trabalhando meio período e chegou a escrever o manual do usuário do Apple II, com mais de 200 páginas. Voltou em tempo integral em 1981. Em meados da década de 1980, Steve Jobs saiu da empresa após conflito com o então CEO John Sculley, e a Apple enfrentou anos de dificuldades até o retorno de Jobs em 1997, que Espinosa descreve como ponto de virada.

Greg Joswiak, diretor de marketing da Apple e funcionário desde 1986, disse que havia continuidade nos valores e no desejo de “fazer grandes coisas”, mesmo quando a empresa perdeu o rumo. Espinosa relatou ainda os sucessivos cortes de pessoal vividos pela companhia e que, em certa ocasião, sobreviveu a demissões em parte porque seu pacote de demissão seria muito alto.

Imagem: Ap

Hoje, Espinosa observa também mudanças no Vale do Silício, criticando o modelo predominante de startups voltadas para retornos rápidos. Ele afirma que a Apple, ao contrário, busca projetos de longo prazo em benefício do cliente. Apesar das transformações e dos desafios atuais — incluindo tarifas, investigações antitruste, tensões geopolíticas e a pressão por avanços em inteligência artificial — Espinosa segue trabalhando na empresa que ajudou a formar.

c.2026 The New York Times Company

Com informações de Infomoney