O ex-deputado federal Alessandro Molon passará a comandar uma aliança ampliada que reúne grandes empresas de tecnologia e operadores de infraestrutura com o objetivo de promover investimentos em data centers no Brasil. A iniciativa, que amplia o escopo de defesa da neutralidade de rede para políticas voltadas à infraestrutura digital, foi anunciada neste domingo (01) durante atividades do MWC (Mobile World Congress), em Barcelona.

Originalmente criada em 2023 como Aliança pela Internet Aberta (AIA) para resistir à imposição de taxas extras aos consumidores, a entidade mudou de nome para Dig.ia – Aliança pela Infraestrutura Digital e Internet Aberta e passa a atuar também na atração de projetos como data centers, cabos submarinos e redes de edge computing.

Com a reformulação, a Dig.ia incorporou quatro novos associados: as empresas de data centers Ascenty, Tecto e Scala Data Centers, além da Microsoft. Essas organizações se juntam a um grupo já composto por companhias como Amazon, Netflix, Meta, Google, TikTok, Mercado Livre e Hotmart, além de entidades setoriais como Abert, Abratel, Abrint e Abstartups, entre outras.

Incentivos fiscais

A mobilização ocorre em meio a debates no Congresso sobre incentivos à instalação de data centers. A medida provisória MP 1.318/2025, que instituía o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata) e suspendia tributos federais na compra de máquinas e equipamentos para centros de processamento, perdeu validade em 25 de fevereiro após a comissão mista que deveria analisá-la não ter sido instalada.

Antes do vencimento da MP, o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), apresentou proposta com objetivo similar. O PL 278/2026 foi aprovado na Câmara dos Deputados em 24 de fevereiro e segue para análise do Senado.

Molon afirma que a Dig.ia vai apoiar iniciativas que garantam incentivos ao setor. Ele destacou que o Brasil possui uma matriz energética entre as mais limpas do mundo, o que torna o país atrativo para esse mercado, e que são necessárias políticas públicas complementares — por exemplo, redução de custos de importação de equipamentos, medida que constava no Redata.

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O governo federal havia reservado R$ 5,2 bilhões para o Redata no Projeto de Lei Orçamentário Anual (PLOA) 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem defendido a Política Nacional de Data Centers como forma de impulsionar a cadeia digital.

A atuação da nova aliança será, inicialmente, nacional, mas Molon indica que haverá desdobramentos regionais. Cidades como o Rio de Janeiro já têm planos voltados à atração desses investimentos: em agosto do ano passado, o prefeito Eduardo Paes anunciou intenção de transformar a capital fluminense em uma AI City, com um hub de data centers nas proximidades do Parque Olímpico.

O movimento reúne setores público e privado para buscar um ambiente regulatório previsível, em um momento no qual outros países da América Latina também disputam a instalação de estruturas de processamento e armazenamento de dados.

Com informações de Infomoney