Executivos de grandes instituições financeiras de Wall Street afirmaram que a expansão da inteligência artificial ainda está em estágio inicial e deve sustentar um longo ciclo de investimentos, gerando operações bilionárias em captações, fusões, aquisições e financiamentos corporativos. Essa avaliação foi apresentada por representantes do Goldman Sachs, Morgan Stanley, Citigroup, Bank of America e JPMorgan Chase ao divulgarem os resultados do segundo trimestre.

A demanda por serviços financeiros tem crescido à medida que avança a construção da infraestrutura necessária para a IA. Bancos de investimento têm participado de operações de grande porte ligadas ao setor, incluindo a oferta de ADRs da SK Hynix, no valor de US$ 26,5 bilhões, a abertura de capital da SpaceX, avaliada em US$ 86 bilhões, além de emissões de títulos para financiar projetos tecnológicos.

O presidente-executivo do Goldman Sachs, David Solomon, descreveu o momento como um “superciclo” que exige capital significativo para montar a infraestrutura tecnológica e, segundo ele, deve manter elevada a atividade nos mercados de capitais por vários anos.

Projeções do Morgan Stanley reforçam essa visão. O banco elevou a estimativa de investimentos globais em data centers para cerca de US$ 850 bilhões em 2026, frente à previsão anterior de US$ 575 bilhões feita no fim de 2025. Para 2027, a projeção passou de US$ 700 bilhões para US$ 1,3 trilhão, e, em 2028, os aportes podem chegar a US$ 1,5 trilhão. Em horizonte mais amplo, a instituição calcula que os investimentos relacionados à inteligência artificial possam alcançar US$ 10 trilhões.

O Bank of America também aponta a IA como um motor central da economia. Segundo o banco, desde 2025 foram levantados quase US$ 500 bilhões para empresas ligadas ao setor, contados operações de dívida e ofertas em mercados de capitais. A instituição concedeu recentemente sua primeira linha de crédito à OpenAI, no valor de US$ 520 milhões.

Imagem: Divulgação

No Citigroup, a presidente-executiva Jane Fraser afirmou que as iniciativas em inteligência artificial dominam agora as conversas com clientes, impulsionando projetos em tecnologia, centros de dados, energia e defesa. O JPMorgan Chase observou que a demanda por crédito decorrente do avanço da IA tem se espalhado além das companhias de tecnologia, alcançando setores impactados pela necessidade de infraestrutura.

Apesar do otimismo dos bancos, o mercado monitora riscos. Em julho, ações de fabricantes de chips registraram volatilidade diante de dúvidas sobre o ritmo dos investimentos em IA e das avaliações elevadas das empresas do setor. Ainda assim, os executivos ouvidos mantêm a convicção de que a transformação impulsionada pela inteligência artificial será um dos principais vetores de crescimento para os mercados financeiros e para a economia global nos próximos anos.

Com informações de Portalin