A temporada de divulgação dos balanços do primeiro trimestre de 2026 segue intensa entre os dias 11 e 15 de maio, com a Petrobras no centro das atenções ao divulgar seus números na terça-feira (12). Além da estatal, várias companhias de peso apresentam resultados ao mercado ao longo da semana.

O calendário semanal inclui também apresentações de Energisa (ENGI11), Telefônica Brasil/Vivo (VIVT3), MRV (MRVE3) e Direcional (DIRR3) na segunda (11); Dasa (DASA3), Helbor (HBOR3) e Cury (CURY3) na terça (12); Brava (BRAV3), Equatorial (EQTL3), Eneva (ENEV3), Casas Bahia (BHIA3) e CVC (CVCB3) na quarta (13); Banrisul (BRSR6), Even (EVEN3), Cyrela (CYRE3) e SYN Prop & Tech (SYNE3) na quinta (14); e Copasa (CSMG3) na sexta (15).

Segunda-feira (11 de maio)

Natura (NATU3)

A Natura chega à divulgação com foco na integração completa das operações Natura e Avon na América Latina, após período de simplificação organizacional, desalavancagem e venda de marcas internacionais. Analistas esperam recuperação de margens operacionais apoiada por custo mais enxuto e maior digitalização das vendas diretas.

O desempenho de receita continua sob pressão em mercados maduros diante do alto endividamento das famílias brasileiras e juros elevados. Entre os pontos monitorados estão a evolução da margem Ebitda consolidada, a redução das despesas financeiras por menor endividamento e a eficácia do modelo híbrido de consultoria na integração com a Avon.

Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 18. Dividend Yield projetado 2026: 2,2%.

Terça-feira (12 de maio)

Petrobras (PETR4)

A Petrobras divulga resultados em meio ao desafio de conciliar forte geração de caixa das operações de pré-sal com direcionamento a investimentos em energia limpa. A companhia preserva baixo custo de extração e mantém a tese de pagamento de dividendos, com o barril Brent acima de US$ 100 desde o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro.

O mercado acompanha a execução do Plano Estratégico, a política de preços de combustíveis e a disciplina de capital da estatal, além do risco de intervenções políticas. Expectativa por produção em níveis historicamente elevados e Ebitda resiliente; atenção ao anúncio de dividendos extraordinários e à estratégia em refinarias e renováveis.

Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 51,70. Dividend Yield projetado 2026: 6,57%.

JBS (JBSS32)

Os analistas estimam que o primeiro trimestre representará o piso de resultados para a JBS em 2026, com margens mais apertadas em todas as unidades. A menor disponibilidade de gado nos EUA, onde a companhia concentra mais da metade dos resultados, deve pressionar lucratividade no segmento bovino. A divisão USA Beef pode apresentar a menor margem Ebitda histórica para um primeiro trimestre. A possível inclusão em índices americanos na segunda metade do ano é vista como fator potencial de valorização.

Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 108. Dividend Yield projetado 2026: 4,8%.

Quarta-feira (13 de maio)

Braskem (BRKM5)

Os resultados da Braskem devem refletir um ciclo global de petroquímicos desafiador, com oferta excedente em mercados-chave e vendas domésticas fracas. Investidores também acompanharão desdobramentos da reestruturação societária: em 23 de abril a Petrobras assinou novo acordo de acionistas com o Shine I FIP, da IG4 Capital, formalizando a transição de controle que substitui a Novonor (ex-Odebrecht).

Imagem: Divulgação/Petrobras

Os principais pontos a observar são vendas e margens pressionadas, atualizações sobre contingências do desastre ambiental em Alagoas e o nível de endividamento.

Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 11. Dividend Yield projetado 2026: sem consenso.

Banco do Brasil (BBAS3)

A presidente Tarciana Medeiros admitiu que 2025 foi o ano mais difícil da história recente do Banco do Brasil, com lucro recuando 45,4% diante de maior inadimplência e provisões no agronegócio. Para o primeiro trimestre de 2026, o banco deve mostrar sinais de recuperação gradual da carteira de crédito agro, com contratos problemáticos sendo renegociados ou encerrados e nova política de risco reduzindo exposição a operações mais arriscadas.

Fatores de atenção incluem a inadimplência no varejo, a manutenção do payout de 40% e a competição com bancos digitais em cenário de Selic em queda.

Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 26,70. Dividend Yield projetado 2026: 3,80%.

Quinta-feira (14 de maio)

MBRF (MBRF3)

A MBRF, fruto da fusão entre Marfrig e BRF, também sofre com o ciclo bovino nos EUA que encareceu matéria-prima e comprimou margens, embora a companhia acredite que o pior tenha ficado para trás. O CEO Miguel Goulart projeta R$ 600 milhões em sinergias da fusão até 2026 e anunciou intenção de abrir capital da marca Sadia Halal em IPO previsto até junho de 2027.

Espera-se Ebitda robusto puxado pelo mercado externo e melhoria na rentabilidade dos processados no Brasil, mas a volatilidade de commodities como milho e soja e a inflação de alimentos no mercado interno seguem como desafios.

Preço-alvo em 2026 (consenso): R$ 24,40. Dividend Yield projetado 2026: 31%.

Os resultados divulgados ao longo da semana devem oferecer sinais de tendência para cada setor e para a atuação das companhias em um ambiente econômico marcado por altos juros, variabilidade nos preços de commodities e riscos políticos.

Com informações de Investnews