A plataforma de mercados de previsão Kalshi registrou um volume de negociações de US$ 27 bilhões ao longo da Copa do Mundo de 2026 e atingiu cerca de 3 milhões de usuários, desempenho que superou em torno de duas vezes as metas internas da empresa.

Antes do torneio, a startup esperava movimentar US$ 13 bilhões e atrair aproximadamente 1,5 milhão de usuários. O aumento da demanda coincidiu com a competição, disputada pela primeira vez com 48 seleções e apontada pela Fifa como a edição mais lucrativa da história.

Fundada por Tarek Mansour e pela brasileira Luana Lopes Lara, a Kalshi atua no segmento de mercados de previsão, que permite negociar contratos ligados a resultados de eventos futuros. Essas plataformas ganharam maior visibilidade nos Estados Unidos após a eleição presidencial de 2024.

Como parte da expansão, a empresa anunciou a intenção de lançar novos tipos de contratos. Entre as iniciativas previstas estão mercados relacionados a resultados de ensaios clínicos e a decisões regulatórias da Food and Drug Administration (FDA). A Kalshi afirma que, com esses produtos, tornará públicas, pela primeira vez, probabilidades associadas ao desenvolvimento de novos tratamentos.

O crescimento, contudo, acontece em paralelo a obstáculos regulatórios. A startup enfrenta ações judiciais em vários estados americanos, nos quais autoridades questionam a legalidade de parte de suas operações. Em Washington, uma decisão judicial ordenou o bloqueio da plataforma diante da avaliação de que determinados contratos provavelmente violam a legislação estadual sobre jogos de azar. O estado de Massachusetts também adotou medidas contra a companhia.

Além das disputas nos tribunais, a Kalshi informou às autoridades americanas sobre uma movimentação considerada suspeita detectada por seus sistemas de monitoramento. Esse relato deu origem a uma investigação da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) sobre possível uso de informação privilegiada.

Kalshi movimenta US$ 27 bilhões durante Copa do Mundo e amplia atuação para novos mercados

Imagem: Divulgação

No exterior, o debate regulatório atinge outros países: no Brasil, o governo federal considera ilegais os chamados mercados de predição oferecidos por empresas desse setor, conforme mencionado na reportagem que fez o levantamento dos dados da Kalshi.

Com o desempenho durante a Copa do Mundo e os anúncios de novos mercados, a empresa sinaliza intenção de ampliar seu leque de contratos, ao mesmo tempo em que enfrenta escrutínio de reguladores e de tribunais nos Estados Unidos.

Com informações de Portalin