O Ceará se firmou como o estado do Nordeste com o maior número de companhias abertas na B3, a bolsa de valores brasileira. São oito empresas cearenses com ações negociadas, resultado que autoridades e especialistas associam a décadas de profissionalização da gestão, expansão dos negócios e aprimoramento da governança corporativa.

Quem e por que

O reconhecimento do estado como referência regional no mercado de capitais foi destacado por Célio Fernando, vice‑presidente da Academia Cearense de Economia, em entrevista ao Portal IN. Segundo ele, a presença de várias empresas cearenses na B3 mostra um ecossistema empresarial maduro, capaz de gerar companhias com governança, escala e transparência para acessar recursos públicos de investimento.

O que e onde

As oito companhias listadas incluem M. Dias Branco, Hapvida, Pague Menos, Grendene, Brisanet, Aeris Energy, Banco do Nordeste e Enel Distribuição Ceará. Juntas, atuam em setores como alimentos, saúde, varejo farmacêutico, telecomunicações, indústria, energia e sistema financeiro, o que, na avaliação de especialistas, demonstra diversidade e resiliência na economia local.

Como se chegou até aqui

De acordo com o economista, a trajetória que levou empresas cearenses à bolsa não foi fortuita: muitos grupos tiveram origem familiar, cresceram de maneira contínua e implementaram processos de profissionalização que os tornaram compatíveis com as exigências de mercado. Esse processo teria ampliado governança, transparência e capacidade de atração de investidores.

Impactos e próximas oportunidades

A abertura de capital, além de facilitar o acesso a recursos para expansão e inovação, também confere maior visibilidade às companhias diante de investidores nacionais e estrangeiros e tende a reforçar cadeias produtivas locais por meio de geração de empregos qualificados e maior demanda por fornecedores e serviços.

Imagem: Divulgação

O avanço do sandbox regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o fortalecimento do mercado de balcão organizado foram apontados como fatores que reduzem custos e barreiras para empresas de porte intermediário — com faturamento entre R$ 10 milhões e R$ 500 milhões — acessarem o mercado de capitais. Célio Fernando afirmou que o Ceará possui um conjunto significativo de empresas nesse perfil, prontas para aproveitar as mudanças regulatórias.

Setores citados como potenciais para a próxima geração de companhias cearenses na B3 incluem energias renováveis, tecnologia, economia azul, logística, agronegócio e turismo. A liderança atual, segundo especialistas, reforça a existência de um ambiente empresarial sólido, capaz de transformar negócios locais em participantes relevantes no cenário nacional e de abrir caminho para novas empresas rumo ao mercado de capitais.

Com informações de Portalin