Diretores financeiros de empresas dos Estados Unidos esperam que demissões atribuídas à inteligência artificial (IA) aumentem significativamente em 2026 em comparação com 2025, mas o impacto deve permanecer restrito a uma parcela pequena da força de trabalho, segundo levantamento em andamento citado por pesquisadores.

O estudo do National Bureau of Economic Research, baseado em pesquisa com 750 CFOs, indica que 44% dos executivos planejam algum corte de pessoal ligado à adoção de IA. Ao projetar esses números para toda a economia, os autores estimam que cerca de 0,4% da força de trabalho — aproximadamente 502.000 vagas de um total de 125 milhões — podem ser eliminadas neste ano. Metade dessas reduções estaria concentrada entre trabalhadores de escritório.

Projeção e comparação com 2025

O resultado representaria um aumento de nove vezes em relação às cerca de 55.000 demissões relacionadas à IA registradas em 2025, conforme dados da empresa de pesquisa Challenger, Gray & Christmas. Apesar do crescimento percentual, os pesquisadores e executivos consultados apontam que, em termos absolutos, a parcela de empregos afetada segue pequena frente ao total do mercado de trabalho.

John Graham, coautor do estudo e diretor da pesquisa com CFOs da Duke, realizada em parceria com os Federal Reserve Banks de Atlanta e Richmond, disse que os números não configuram um “fim do mundo” para o emprego, contrapondo manchetes mais alarmistas.

Ganho de produtividade e o paradoxo histórico

O trabalho também mostra diferença entre as expectativas de ganhos de produtividade com a IA e os resultados observados até agora. Pesquisadores associam essa defasagem ao chamado paradoxo de Solow — ideia de que tecnologias difundidas podem não aparecer imediatamente nas estatísticas de produtividade — e destacam que receitas decorrentes dos investimentos em IA tendem a surgir com atraso.

Ronnie Walker, economista sênior do Goldman Sachs, apontou recentemente que ainda não se encontra relação significativa entre produtividade e adoção de IA no nível da economia como um todo. Relatos de trabalhadores citados no levantamento indicam que, em alguns casos, a IA tem aumentado a carga de trabalho e reduzido eficiência, com tempo dedicado a certas tarefas subindo até 346%.

Imagem: Organic Media/Fortune

Casos corporativos e tendência entre pequenas empresas

O estudo também registra demissões de grande porte atribuídas a tecnologia neste ano, entre elas cortes na Block — que eliminou cerca de 40% da força de trabalho, mais de 4.000 vagas — e reduções de 10% na Atlassian. A Meta estaria planejando corte de 20% do quadro, enquanto avança no desenvolvimento de agentes de IA. No panorama mais amplo, empregadores dos EUA comunicaram 92.000 cortes de postos no mês anterior ao levantamento, e a taxa de desemprego subiu para 4,4%.

Ao mesmo tempo, a pesquisa sugere que empresas menores estão começando a adotar IA mais recentemente e, com isso, planejam aumentar contratações em funções técnicas, enquanto companhias maiores tendem a manter estáveis esses cargos. Os autores ressaltam que o estudo reflete uma fotografia de curto prazo, deixando em aberto a evolução do impacto da IA sobre o emprego nos próximos anos.

Quem sabe o que ocorrerá em 2028?, afirmou Graham ao reconhecer a incerteza sobre efeitos de médio e longo prazo.

Com informações de Infomoney