O megainvestidor e integrante do programa Shark Tank, Kevin O’Leary, afirmou que o governo dos Estados Unidos não deveria resgatar a companhia aérea de baixo custo Spirit Airlines, em entrevista ao programa Katie Pavlich Tonight, da NewsNation. O’Leary qualificou um eventual pacote federal de US$ 500 milhões como “uma péssima ideia” e defendeu que empresas com má gestão sejam deixadas à própria sorte pelo mercado.

O que está acontecendo com a Spirit Airlines

O debate sobre um possível socorro ocorre enquanto a administração Trump negocia um pacote que poderia envolver um empréstimo de até US$ 500 milhões. Fontes citadas pelo noticiário indicam que garantias ligadas a esse apoio poderiam permitir ao governo federal adquirir até 90% da companhia aérea após sua saída da recuperação judicial.

A Spirit entrou com pedido de recuperação judicial duas vezes em cerca de um ano: primeiro em novembro de 2024 e novamente em agosto de 2025, após ter sua proposta de fusão com a JetBlue barrada por um juiz federal. A empresa também enfrenta dificuldade para se adaptar ao aumento da demanda por serviços premium no período pós-pandemia.

Segundo o JPMorgan, o aumento do preço do combustível de aviação provocado pelo início do conflito entre Estados Unidos e Irã no fim de fevereiro adicionaria cerca de US$ 360 milhões aos custos da Spirit caso o combustível se mantenha próximo a US$ 4,60 por galão (3,78 litros).

O presidente Donald Trump declarou à CNBC que “a Spirit está com problemas” e sugeriu que o governo poderia ajudar, citando a preservação de 14 mil empregos; já o secretário de Comércio, Howard Lutnick, tem atuado como defensor interno da ideia de uma participação acionária federal, segundo a CBS News.

Contudo, a proposta enfrenta resistência bipartidária. O secretário de Transportes, Sean Duffy, afirmou estar cauteloso em “colocar dinheiro bom em cima de dinheiro ruim”, e o senador Ted Cruz qualificou o resgate como “uma ideia absolutamente terrível”, mencionando os erros percebidos nos resgates corporativos do TARP de 2008. Tad DeHaven, do Cato Institute, resumiu o acordo em discussão como sendo sobre “dinheiro, poder e influência” e alertou contra uma participação acionária do governo.

A Spirit tem evitado comentar publicamente as negociações e declarou que está “operando normalmente”.

Imagem: Ap

Posição conhecida de O’Leary

A posição de O’Leary segue postura que ele adota há anos contra intervenções estatais em empresas privadas. Presidente da O’Leary Ventures, ele construiu parte de sua fortuna após vender a Learning Co. para a Mattel por US$ 4,2 bilhões em 1999. Durante a pandemia de 2020, O’Leary disse que companhias aéreas em dificuldade deveriam declarar falência em vez de receber apoio federal. Após o colapso do Silicon Valley Bank em 2023, criticou a garantia de depósitos não segurados pelos reguladores, citando risco moral. Em outras ocasiões, quando bancos regionais ameaçaram quebrar, disse à Bloomberg TV que instituições mal administradas deveriam ir à falência, e já se posicionou contra o perdão de dívidas estudantis, chamando-o de “antiamericano”.

Para O’Leary, permitir que o mercado elimine maus gestores é essencial para o funcionamento do capitalismo: “o capitalismo funciona porque os perdedores morrem”, disse, defendendo que os ativos de empresas fracassadas sejam absorvidos por outros compradores estratégicos, fundos de private equity ou credores.

A discussão sobre o eventual resgate da Spirit segue em curso entre autoridades e legisladores, com opiniões divididas sobre os riscos e precedentes de uma intervenção federal.

Com informações de Infomoney