A guerra no Irã alterou significativamente a dinâmica de preços e taxas dos títulos públicos prefixados e indexados ao IPCA, segundo movimentos registrados desde o fim de fevereiro. A volatilidade ficou evidente em casos como o de um investidor identificado como Cassio (nome fictício), que aplicou R$ 10 mil em meados de agosto de 2024 no Tesouro Renda+ 2040 com rendimento de IPCA mais 5,93% ao ano e, pouco mais de dois anos depois, viu a carteira valer R$ 9,8 mil.
O conflito elevou as cotações do petróleo — que chegaram a ultrapassar US$ 120 o barril e hoje estão acima de US$ 100 — e pressionou preços de combustíveis, gás natural, fertilizantes e commodities metálicas. Essas altas exerceram influência sobre a inflação global e recalibraram estimativas para a trajetória de queda da Selic no Brasil.
Desde o início do conflito, o Comitê de Política Monetária (Copom) realizou duas reduções de 0,25 ponto percentual: a primeira em março, para 14,75% ao ano, e a segunda em abril, para 14,50% ao ano. Antes da guerra, o mercado projetava cortes de 0,50 ponto em todas as reuniões do Copom e uma Selic de 12,00% ao ano em dezembro, segundo o boletim Focus. Com o novo cenário, a expectativa consensual passou a indicar Selic de 13,00% ao ano em dezembro.
Volatilidade estressa o investidor
As taxas dos Tesouro IPCA+ oscilaram conforme o noticiário. Em momentos de otimismo sobre um possível cessar-fogo entre EUA e Irã, juros de vários papéis caíram abaixo de 7% ao ano; em períodos de tensão, chegaram a se aproximar de 8% no caso do IPCA+ 2032. O Renda+ 2040 atingiu pico de 7,16% em março e, mais recentemente, passou a oscilar em torno de 6,98%, tendo alcançado 6,83% no melhor momento após o início do conflito.
Os títulos prefixados também sofreram grandes variações: a taxa do Tesouro Prefixado 2032 chegou a 14,30% semanas após o início da guerra, caiu para 13,43% em meados de abril e atualmente está em 13,88%. Essas flutuações decorrem da marcação a mercado, que reflete diariamente ganhos e perdas potenciais caso o investidor venda o papel antes do vencimento.
Mas abre oportunidades
Apesar da volatilidade, as taxas permanecem em níveis historicamente elevados, o que pode ser vantajoso para prazos longos. Um Tesouro IPCA+ 2032 com taxa de 7,63% ao ano, por exemplo, pagará a inflação mais esse juro contratado pelos próximos seis anos se for mantido até o vencimento. Em uma simulação com inflação média anual de 4%, R$ 100 mil aplicados nesse título seriam transformados em R$ 193,5 mil em 2032. Só o rendimento real, acima da inflação, representaria R$ 55,5 mil ao fim do período, equivalente a ganho real de 55,5% em termos nominais.
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Para investidores com horizonte mais longo e tolerância às oscilações diárias, há a possibilidade de “travar” retornos elevados por vários anos. Mesmo quem precisar vender antes do vencimento pode se beneficiar no médio prazo, já que a expectativa é de que as incertezas se reduzam com o tempo, sobretudo após o período eleitoral e a posse do próximo governo, em um horizonte de cerca de um ano.
Como exemplo adicional, o Tesouro IPCA+ 2040 chegou a oferecer IPCA mais 7,38% ao ano no melhor momento de janeiro deste ano; esse papel registrava retorno nominal de 7,8% até 12 de maio. Um investidor que comprou o mesmo título em maio de 2025 acumulava, até 12 de maio deste ano, ganho de 10,24% na marcação a mercado ao longo de 12 meses.
No contexto atual, os analistas destacam que, embora o conflito no Oriente Médio possa seguir impactando preços, grande parte das altas já ocorreu e os juros de curto prazo tendem a cair progressivamente conforme o Banco Central utilize espaço na Selic para continuar os cortes nas próximas reuniões.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6