Na manhã desta terça-feira, 07.07, a Chanel mostrou em Paris sua coleção de alta-costura para o outono-inverno 2026, apresentada pelo diretor criativo Matthieu Blazy. O trabalho parte de uma referência literária encontrada na biblioteca do apartamento de Gabrielle Chanel, na Rue Cambon — um acervo mantido desde a morte da estilista, em 1971.

Blazy localizou um exemplar de Les Fées, Contes de Contes, coleção de contos de fadas cuja primeira edição data de 1707 e foi escrita por Charlotte-Rose de Caumont de La Force. Nas notas distribuídas aos convidados, o criador explicou que pensou em traduzir a narrativa dos livros em roupas, integrando o universo das oficinas de alta-costura à ideia de contar histórias por meio das peças.

O desfile abriu com um look que sintetizou a proposta: um tailleur de tweed desconstruído, confeccionado em musseline de seda ultraleve com bordas desfiadas. A modelo levou nas mãos o exemplar de Coco Chanel e uma bolsa-carteira feita do mesmo tecido do traje, simbolizando a conexão entre leitura e vestuário. Segundo Blazy, a coleção busca conciliar o ofício artesanal das petites mains com a contemporaneidade, sem que o trabalho ornamental signifique excesso, a precisão das modelagens represente rigidez ou a riqueza têxtil se traduza em ostentação.

O tema central foi a liberdade — criativa e de movimento. Em um cenário decorado com flores em escala extra-large, elementos botânicos dominaram parte da estética: pássaros surgiram apenas como adorno em minaudières com corrente, enquanto plantas trepadeiras foram trabalhadas até se enroscarem nos saltos dos sapatos. Essa faceta fantástica conviveu com momentos de geometria e limpeza visual.

Na passarela, a alfaiataria imperou por meio de conjuntos com paletós combinados a coletes alongados em xadrez, manteaux de ombros estruturados e vestidos em corte coluna. A proposta evidenciou uma moda pensada para abraçar a diversidade feminina, adaptando-se a diferentes estilos de vida e faixas etárias sem descaracterizar a cliente. “A alta-costura da Chanel não é apenas um conto de fadas; em essência, é para as mulheres, suas realidades e suas aventuras do dia a dia”, afirmou Blazy.

Imagem: Cortesia/Chanel

O desfile reafirmou a leitura da maison sobre sua própria história: parte biografia, parte literatura, com uma coleção que combina imaginação botânica e rigor de alfaiataria.

Com informações de Forbes