Grupo de especialistas em saúde, clima e desempenho esportivo afirmou que protocolos atuais da FIFA não protegem adequadamente os jogadores durante a Copa do Mundo de 2026 e podem expor atletas a risco de estresse térmico extremo. Em uma carta aberta, os pesquisadores afirmam que as práticas adotadas pela entidade organizadora do torneio, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, não acompanham as evidências científicas mais recentes.

Quem e o que pedem

Vinte especialistas de países como Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Austrália e várias nações europeias assinaram o documento. Entre as demandas, eles solicitam revisão urgente dos protocolos da FIFA, com critérios mais claros para adiar ou suspender partidas, pausas de resfriamento mais longas e melhores estruturas de refrigeração para atletas.

Quando e onde

Os cientistas alertam que, durante o Mundial de 2026, 14 dos 16 estádios que sediarão jogos podem registrar níveis de calor perigosos. Em trechos do sul dos EUA e do norte do México, as temperaturas máximas médias diurnas costumam variar entre o início e a metade da faixa dos 30 °C, podendo alcançar perto de 40 °C em períodos mais quentes.

Como medem o risco

A FIFA usa o índice Wet Bulb Globe Temperature (WBGT) para avaliar estresse térmico, sendo cerca de 28 °C um limite amplamente reconhecido de preocupação para atletas de elite. O manual de atendimento emergencial da entidade orienta que, quando o WBGT estiver em ou acima de 32 °C, os organizadores definam medidas para evitar doenças relacionadas ao calor.

Propostas concretas

Na carta, os especialistas pedem que partidas com WBGT acima de 28 °C sejam adiadas ou suspensas. Recomendam também pausas de resfriamento de pelo menos seis minutos e atualizações frequentes das diretrizes com base em novas evidências. Eles solicitam ainda que a FIFA adote os padrões defendidos pela FIFPRO, o sindicato global dos jogadores.

Andrew Simms, diretor do New Weather Institute e coordenador da carta, afirmou à BBC Sport que “a segurança dos jogadores é uma preocupação imediata e urgente porque as coisas podem dar errado muito rapidamente quando as pessoas superaquecem”. Douglas Casa, da Universidade de Connecticut e signatário do documento, declarou que as pausas atuais são insuficientes: “A pausa para hidratação em cada tempo precisa absolutamente ser maior do que três minutos, pelo menos cinco minutos para cada pausa e, de preferência, seis”.

Cientistas dizem que medidas da FIFA contra calor na Copa de 2026 são insuficientes

Imagem: Divulgação

Comparação histórica e projeções

Uma análise da World Weather Attribution (WWA) indica que o risco de calor intenso e umidade para jogadores e torcedores é maior do que na Copa de 1994, também realizada na América do Norte. Os cientistas apontam que cerca de um quarto das partidas podem ocorrer acima de 26 °C de WBGT, enquanto aproximadamente cinco jogos podem ultrapassar 28 °C, nível considerado inseguro pela FIFPRO. A WWA estima que o risco de condições extremas quase dobrou desde 1994 devido às mudanças climáticas.

Posição da FIFA

A FIFA não comentou diretamente a carta, mas informou à BBC Sport que adotará um “modelo escalonado de mitigação do calor” durante o torneio, com medidas ajustadas às condições em tempo real. A entidade disse que haverá suporte meteorológico dedicado, monitoramento de WBGT e do índice de calor, além de um calendário planejado considerando fatores climáticos, com ajustes de horários, limitação de jogos nos períodos mais quentes e prioridade para estádios cobertos quando necessário.

As discussões sobre procedimentos e segurança seguem até o início da Copa do Mundo de 2026, enquanto especialistas e organizadores debatem a aplicação prática das recomendações em campo.

Com informações de Olhardigital