A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ingressou, na sexta-feira (22), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) contestando a medida provisória que zerou o imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50. A entidade questiona a MP 1.357/2026, que revogou a alíquota federal de 20% aplicada a remessas de pequeno valor.

Segundo a CNI, a mudança criada pela União favorece plataformas estrangeiras de comércio eletrônico e desequilibra a concorrência em desfavor da indústria brasileira. A entidade afirma que a isenção reintroduz uma vantagem competitiva artificial para bens importados, afetando fabricantes nacionais e ameaçando empregos no setor produtivo.

Argumentos da CNI

No documento apresentado ao STF, a confederação também sustenta que a edição da medida provisória não respeitou o requisito constitucional de urgência necessário para esse instrumento legal, especialmente porque o tema já vinha sendo tratado no Congresso por meio de projetos. A CNI alega ainda violação de princípios constitucionais, como isonomia tributária, livre concorrência e proteção do mercado interno.

“Com essa disparidade de condições, não se preserva o ambiente de livre concorrência”, declarou o diretor jurídico da CNI, Alexandre Vitorino, ao apontar que a redução a zero da alíquota acentua diferenças entre empresas estrangeiras e produtores locais.

Contexto do mercado e impactos

A entidade destaca que as importações de pequeno valor cresceram de forma expressiva na última década: passaram de US$ 800 milhões em 2013 para US$ 13,1 bilhões em 2022. No recorte de remessas internacionais, o volume subiu de 70,5 milhões em 2018 para 176,3 milhões em 2022, segundo dados citados pela CNI.

CNI protocola ADI no STF contra fim da cobrança sobre importações de até US$ 50

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De acordo com a confederação, a tributação aplicada nos últimos anos teria contribuído para reduzir distorções e preservado empregos. A CNI estima que a cobrança anterior ajudou a manter 135 mil postos de trabalho e a movimentar R$ 19,7 bilhões na economia brasileira, razão pela qual entende que a revogação pode provocar deslocamento de produção, renda e arrecadação para o exterior.

O episódio reacende o debate entre indústria e varejo, que defendem tratamento tributário equivalente ao de produtos nacionais, e consumidores e plataformas internacionais, que argumentam que a taxação encarece mercadorias de baixo valor e restringe o acesso a bens mais baratos. Com a judicialização, a controvérsia passa a tramitar também na esfera constitucional.

Com informações de Infomoney