Um contribuinte que adquiriu ações de um banco em 1978 e manteve esses papéis escriturados por décadas, recebendo bonificações ao longo do tempo e totalizando 4.825 ações, passou em 2025 a custodiar esses ativos em uma corretora. Ele consultou o InfoMoney sobre como calcular o preço médio e declarar esses papéis no Imposto de Renda 2026. A resposta foi dada por Charles Gularte, sócio-diretor de contabilidade e relações institucionais da Contabilizei.
Segundo o especialista, o procedimento correto é reconstruir da forma mais precisa possível o custo original da aquisição em 1978 e converter esse valor para reais seguindo as regras e cotações oficiais do Banco Central aplicáveis ao período. Esse total convertido deve ser usado como custo do investimento e registrado na ficha de Bens e Direitos da declaração do IR 2026 pelo valor de custo, e não pelo valor de mercado atual ou pela cotação na data da transferência de custódia.
Gularte destaca que ações recebidas por bonificação ou resultantes de desdobramentos, quando não houve aporte adicional de recursos, não alteram o custo total investido: o custo dessas novas ações é considerado zero. Na prática, depois de apurado o custo total convertido para reais, esse montante deve ser dividido pela quantidade atual de 4.825 ações para obter o custo médio por ação, cifra que servirá de base para apuração de ganho de capital em eventuais vendas futuras.
Documentação e risco de questionamento
O contador alerta que a Receita Federal pode exigir comprovação do custo informado. Por isso, é essencial apoiar a reconstrução do custo em documentos que tenham algum grau de comprovação, como extratos antigos, informes do banco ou outros registros históricos confiáveis. Informar um custo que não possa ser demonstrado pode gerar questionamentos e autuações.
O ideal, do ponto de vista formal, seria que as ações tivessem sido declaradas ano a ano desde a compra. Se o valor original convertido para reais tivesse obrigação de gerar declarações nos exercícios passados, existe risco de multa por não ter declarado anteriormente. Ainda assim, o caminho recomendado é regularizar a informação na declaração de 2026.
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Se não for possível comprovar o custo
Caso não haja qualquer meio de comprovar o custo de aquisição, a alternativa mais conservadora do ponto de vista fiscal é registrar as ações com custo muito baixo ou simbólico, por exemplo R$ 0,01, ou até R$ 0,00. Essa escolha reduzirá a exposição a questionamentos por superestimação do custo, mas resultará em cálculo de ganho de capital maior no momento da venda e, consequentemente, em maior imposto a recolher.
O contribuinte interessado em esclarecimentos pode enviar dúvidas ao InfoMoney por e-mail para [email protected]; as mensagens passam por triagem e as selecionadas são respondidas no site e nas redes sociais do veículo.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6