Uma pesquisadora que entrevistou centenas de líderes e aplicou uma pesquisa quantitativa com quase 1,3 mil profissionais identifica quatro fatores que determinam o desempenho no trabalho: Tempo, Atenção, Autonomia e Motivação — conjunto que ela resume como TAAM. A constatação parte tanto de relatos pessoais quanto de padrões observados em quem declara que o trabalho “não funciona para si”.

O ponto de partida foram experiências cotidianas: a autora descreve um episódio em que, durante dificuldades financeiras da família, tentou mobilizar o marido usando medo e ansiedade. Enquanto ela se sente impulsionada por esse tipo de pressão, o marido desligou-se diante da mesma abordagem, evidenciando cérebros programados de modos distintos e diferentes gatilhos motivacionais.

TAAM: o que é e por que importa

Segundo a pesquisadora, o modelo TAAM não é um teste de personalidade, mas uma forma de mapear necessidades operacionais do cérebro e as condições necessárias para manter desempenho sustentável ao longo do tempo. Quando essas quatro dimensões não se alinham ao emprego, ao gestor ou ao ambiente, além da queda na entrega, há desgaste por tentativa de compensação.

1. Tempo

Tempo refere-se ao cronotipo e ao ritmo de trabalho — não só à organização da agenda. A autora cita exemplos como reuniões às 8h30 (Brasília UTC-3) que podem coincidir ou não com o pico de rendimento de uma pessoa. Para quem não responde bem ao tempo linear, trabalhar por ritmos e blocos, com alarmes ou playlists, pode proteger energia e otimizar desempenho.

2. Atenção

Atenção envolve as condições sensoriais e cognitivas que permitem engajamento. A executiva Amy Wilson, descrita na reportagem, relata sobrecarga sensorial em ambientes movimentados, sensibilidade à luz e o uso ocasional de óculos escuros em ambientes internos. Ao mesmo tempo, essa sensibilidade a torna hábil em “ler a sala” e ajustar apresentações, convertendo uma limitação em vantagem quando bem gerida.

3. Autonomia

Autonomia diz respeito ao controle sobre quando, onde e como trabalhar. Na pesquisa citada, quase dois terços dos entrevistados apontaram a flexibilidade como necessidade principal. A autora ressalta que autonomia não é mero luxo, mas muitas vezes condição para que o esforço seja sustentável, permitindo alinhar tarefas aos próprios níveis de energia, atenção e motivação.

Quatro forças invisíveis que influenciam o rendimento no trabalho, segundo pesquisadora

Imagem: Divulgação

4. Motivação

Motivação é tratada como um processo neurobiológico que varia entre indivíduos: alguns se movem por significado, outros por novidade, reconhecimento ou até por medo. A pesquisadora exemplifica com seu marido — estimulado por desafios e novidades — e com seu próprio mecanismo, que responde a reconhecimento externo e ansiedade. Identificar qual necessidade está desalinhada, segundo ela, é chave para buscar ajustes práticos.

A conclusão apresentada é prática: antes de tentar resolver tudo, nomear o desalinhamento em alguma das quatro forças é o primeiro passo para mudanças mais efetivas no ambiente de trabalho.

Com informações de Fastcompanybrasil