A Dasa, maior grupo de medicina diagnóstica da América Latina, firmou uma parceria com a GE Healthcare para a instalação de 16 novas máquinas de ressonância magnética equipadas com inteligência artificial. O contrato é de longo prazo e, segundo fontes de mercado, tem valor superior a dezenas de milhões de reais, mas não foi divulgado publicamente.

De acordo com a companhia, a renovação amplia a capacidade de atendimento em cerca de 25% e representa a substituição de aproximadamente 10% do parque de ressonâncias da Dasa em um único ciclo — um ritmo considerado incomum, já que modernizações desse porte costumam ocorrer gradualmente, em média de 2 a 4 aparelhos por ano. As unidades serão distribuídas por diferentes estados do país, com impacto nacional.

Alexandre Valim, diretor de Operações Médicas da Dasa, afirmou que a atualização não era feita há pelo menos uma década e que a adoção das novas máquinas ocorrerá em até dois anos, com efeitos de geração de valor ao longo do tempo. João Paulo de Souza, Chefe Executivo da GE HealthCare Brasil, descreveu a operação como uma parceria que abrange pilares clínicos, operacionais e financeiros e disse que se trata de um contrato inédito no Brasil para a GE, cuja sede fica em Chicago, nos Estados Unidos.

Os equipamentos têm capacidade de receber atualizações futuras sem a necessidade de troca de hardware por um período que pode chegar a 20 anos, o que, segundo os representantes, protege o investimento. A substituição física de uma máquina típica leva cerca de dois meses; já as atualizações nos novos equipamentos podem ser feitas em duas a três semanas, reduzindo o número de exames perdidos durante o processo.

Duas das 16 máquinas são modelos com campo magnético de 3.0 Tesla — superior aos 1.5 Tesla das demais — e serão instaladas em uma unidade do Delboni Salomão Zoppi no bairro do Paraíso, em São Paulo, e em uma unidade da Alta no Barra Shopping, no Rio de Janeiro. Esses aparelhos de maior campo magnético prometem maior precisão em exames complexos, especialmente em áreas como oncologia e neurologia.

Além dos ganhos em qualidade de imagem e redução do tempo de exames, a troca dos equipamentos deve gerar economia de insumos. A Dasa estima uma redução no consumo de gás hélio da ordem de R$ 500 mil por máquina trocada ao ano.

Imagem: Ap

Movimentos no mercado de saúde

O investimento soma-se a outra iniciativa anunciada no início do ano pela Dasa: a modernização de 18 Núcleos Técnico-Operacionais (NTOs), responsáveis pelo processamento de exames que somam cerca de 450 milhões por ano. A empresa informou que os números consolidados de investimento deverão ser divulgados em 12 de maio, quando serão publicados os resultados do primeiro trimestre de 2026. No ano passado, o capex caixa da Dasa foi de R$ 290 milhões.

No setor, há contrastes entre grupos: alguns, como Hapvida, Oncoclínicas, Kora Saúde e Alliança Saúde, enfrentam dificuldades financeiras; outros, entre eles Rede D’Or, Bradsaúde, Dasa, Fleury, Porto e Rede Américas, ampliam investimentos e participam de movimentos de consolidação. O Fleury também tem reforçado aportes em tecnologia e digitalização. Em março, Fleury e Porto negociaram com a Oncoclínicas a formação de nova empresa que reuniria dívidas de até R$ 2,5 bilhões, mas as conversas foram encerradas. A Alliança Saúde entrou com ação cautelar de proteção contra credores em março, com dívida de R$ 500 milhões registrada em setembro passado, e seu então CEO, Ricardo Sartim, renunciou no fim de abril.





O projeto com a GE Healthcare deve ser implementado de forma a operar em prazo curto de adoção e com resultados clínicos e operacionais percebidos ao longo do tempo.

Com informações de Investnews