Os Emirados Árabes Unidos passaram a pressionar nas últimas dias para que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não reinicie a guerra contra o Irã, alinhando-se a apelos já feitos pela Arábia Saudita e pelo Catar, segundo pessoas a par do assunto.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a pedidos de comentário. A posição de Abu Dhabi representa uma mudança em relação ao tom adotado anteriormente pelo país, que chegou a ser alvo direto de ataques iranianos e mantinha postura mais rígida que a de alguns vizinhos.

Dina Esfandiary, analista da Bloomberg Economics, afirmou que os Estados árabes do Golfo “viram seus piores temores se concretizarem”, ao ficarem no meio do confronto entre EUA e Irã e sofrerem a maior parte das consequências. Pessoas informadas afirmaram que Abu Dhabi conduziu ataques limitados ao Irã em coordenação com EUA e Israel, enquanto a Arábia Saudita realizou ações semelhantes por conta própria.

Irã e EUA concordaram em uma trégua em 8 de abril e vêm negociando por meio do Paquistão sobre um possível acordo de paz, embora ambos digam estar prontos a retomar as hostilidades e deem poucos sinais de concessão. O secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, declarou que houve “algum progresso” nas conversas, e a mídia iraniana também registrou comentários positivos. O comandante do Exército do Paquistão, Asim Munir, realizou uma visita ao Irã no mesmo dia, apontada como indicativa de aproximação.

No fim de abril, os Emirados surpreenderam ao anunciar sua saída da Opep, em meio a atritos com a Arábia Saudita, mas fontes dizem que as relações entre os membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) melhoraram depois disso. Em comunicado à Bloomberg, o Ministério das Relações Exteriores dos EAU declarou que o país “continua em estreita coordenação e consulta com os estados-membros do Conselho de Cooperação do Golfo, ao lado de parceiros regionais e internacionais”.

Na esfera marítima, todos os membros do CCG, exceto Omã, encaminharam carta a um órgão global de supervisão rejeitando tentativas iranianas de controle permanente do tráfego pelo Estreito de Ormuz, cuja interrupção no início do conflito restringiu exportações de petróleo e gás do Golfo. O Irã e seus aliados mantêm considerável capacidade militar, apesar de perdas sofridas, e a ameaça aos Estados do Golfo se manifestou recentemente em um ataque por drone a uma usina nuclear dos EAU, atribuído por Abu Dhabi a milícias iraquianas apoiadas pelo Irã.

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Trump afirmou ter conversado com o príncipe-herdeiro saudita Mohammed bin Salman, com o presidente dos EAU, xeque Mohamed bin Zayed, e com o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad, e disse que eles o convenceram a não atacar o Irã. Ainda assim, fontes observam que alguns líderes do Golfo duvidam que seus apelos sejam decisivos, temendo que Israel pressione por nova ofensiva. O primeiro‑ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que mais ataques seriam necessários para degradar a capacidade militar iraniana.

O conselheiro sênior do presidente dos EAU, Anwar Gargash, afirmou haver “50% de chance de chegarmos a um acordo” com o Irã e expressou preocupação com práticas iranianas de negociação excessiva, cobrando que desta vez haja uma solução política que evite novo confronto militar.

Em nota divulgada na quarta‑feira, o chanceler saudita Faisal Bin Farhan disse que o reino “valoriza muito” a decisão de Trump de dar uma chance à diplomacia para alcançar um acordo aceitável que ponha fim à guerra.

Com informações de Infomoney