O setor elétrico brasileiro se organiza para um leilão inédito de megabaterias — sistemas BESS (Battery Energy Storage System) — previsto para junho. O certame deve ser o ponto de partida de um mercado que pode atrair até R$ 45 bilhões em investimentos até 2030, segundo estimativa da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (ABSAE).
O que está em jogo
O Ministério de Minas e Energia sinalizou a intenção de contratar 2 GW de potência total, o equivalente à capacidade de atender uma cidade de cerca de 6 milhões de habitantes. Analistas e executivos do setor estimam que os projetos relacionados ao leilão movimentem algo em torno de R$ 10 bilhões.
As propostas discutidas até agora indicam que cada empreendimento deverá ter no mínimo 30 MW de potência e capacidade de entrega contínua por até quatro horas quando acionado. Nas diretrizes iniciais, o governo prevê remuneração por disponibilidade: o operador mantém o sistema pronto e recebe uma compensação fixa.
Quem está interessado
Embora o edital ainda não tenha sido publicado, várias empresas já se mobilizaram. Entre transmissoras, a ISA Energia, controlada pela colombiana ISA, avalia participar. A companhia opera o primeiro sistema de armazenamento em larga escala do país, em Registro (SP), inaugurado em 2023 — unidade que sustenta por até duas horas o consumo médio equivalente ao de uma cidade de cerca de 90 mil habitantes.
Publicamente, Engie e Axia (ex-Eletrobras) também declararam interesse. A Axia informou ter mais de 4 GW em projetos de armazenamento desenhados, o dobro da capacidade que o governo sinalizou contratar.
Fabricantes e competição internacional
Fabricantes de baterias também acompanham o leilão, por ser decisivo para ampliar um mercado ainda pequeno no Brasil: atualmente há cerca de 900 MWh instalados ou contratados, capacidade que, em termos nacionais, sustentaria o consumo por aproximadamente 40 segundos. Em comparação, a China chega a cerca de 30 minutos e os Estados Unidos a 20 minutos.
A WEG, apontada em relatório da XP como a empresa brasileira com porte para ganhar participação, entrou no segmento em 2019 e projeta R$ 3,2 bilhões em receitas na próxima década. A companhia anunciou em fevereiro a construção de uma fábrica de BESS em Itajaí (SC), com inauguração prevista para o segundo semestre de 2027.
Imagem: Divulgação
Gigantes globais também estarão na disputa. Em 2024, a Tesla detinha cerca de 15% do mercado mundial de megabaterias; entre as chinesas destacam-se Sungrow, CATL, Huawei e BYD. No Brasil, a Huawei afirma ser líder de mercado, com aproximadamente 100 MWh em operação e mais 400 MWh contratados para instalar neste ano. A empresa tem atuado com parceiros locais, oferecendo tecnologia enquanto terceiriza estruturação financeira e relacionamento institucional.
Por que a hora é esta
O avanço das baterias é impulsionado por duas frentes: a necessidade de mitigar cortes de geração (curtailment) causados pela expansão de geração solar e eólica e a forte redução nos custos das baterias de íon-lítio. Entre 2013 e 2023, o preço dessa tecnologia caiu cerca de 80%; somente entre 2023 e 2024 a queda foi de 40%. Projeções apontam que o custo pode chegar a US$ 64 por kWh até 2030, ante US$ 115 por kWh em 2024.
O leilão de junho, portanto, é visto por empresas de transmissão, geração e pelos fabricantes como um marco para a consolidação do armazenamento em larga escala no país, embora detalhes finais do edital ainda gerem incertezas entre potenciais participantes.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6