A vacância nos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) precisa ser analisada com cuidado para evitar decisões equivocadas por parte dos investidores, alerta Lana Santos, analista do Research do Clube FII. Segundo a especialista, interpretar o indicador de forma isolada pode levar tanto à rejeição prematura de um fundo quanto à falsa sensação de segurança quando a taxa é baixa. A recomendação é considerar o indicador dentro de um contexto mais amplo.

Vacância física versus vacância financeira

Lana Santos explica que existem duas formas distintas de medir a vacância. A vacância física refere-se à fração da área desocupada em um imóvel. Já a vacância financeira mede a parcela da receita que o fundo deixa de receber por causa de espaços sem inquilinos, inadimplência ou períodos de carência contratual. Um imóvel pode apresentar alta vacância física e, ainda assim, preservar boa parte da receita do fundo, enquanto uma única desocupação em área de alto aluguel pode reduzir significativamente os ganhos.

Importância do histórico e do contexto

A especialista destaca que a evolução do indicador ao longo do tempo é mais relevante do que um número pontual. Uma tendência de queda na vacância indica capacidade de atração de locatários pela gestão, enquanto níveis elevados e persistentes podem sinalizar problemas estruturais no ativo ou na estratégia do fundo. “Contexto é tudo e não pode ser ignorado”, afirma Santos.

Vacância pode ser deliberada

Nem toda vacância é necessariamente negativa. A administração de um fundo pode optar por deixar um espaço vago temporariamente para realizar reformas, buscar um inquilino que pague aluguel superior ou negociar condições contratuais mais vantajosas. Em shoppings, por exemplo, manter vagas disponíveis pode ser necessário para a entrada de grandes lojas que demandam espaços específicos; o texto cita a chegada da H&M ao Brasil como caso em que vagas foram desejáveis para acomodar marcas de alto padrão. Quando a vacância é fruto de uma estratégia transparente, seu impacto difere muito de uma elevação inexplicada no indicador, observa Santos.

Análise integrada com outros indicadores

Para avaliar corretamente a vacância, o indicador deve ser combinado com elementos como qualidade da gestão, diversificação do portfólio, padrão construtivo e localização dos imóveis. Imóveis bem posicionados e com bom padrão tendem a recuperar ocupação mais rapidamente. Gestores proativos também podem reduzir o problema por meio de modernização e adaptação às demandas do mercado, transformando a vacância em um termômetro da competitividade do portfólio, conclui a analista.

Entenda como avaliar a vacância em fundos imobiliários (FIIs)

Imagem: Divulgação

A leitura completa do indicador, aliada a outras variáveis, permite ao investidor tomar decisões mais fundamentadas e identificar oportunidades reais no universo dos FIIs.





Com informações de Borainvestir.b3