EUA perdem espaço: exportações brasileiras caem 14% em maio enquanto China amplia participação
MDIC aponta recuo nas vendas ao mercado americano e maior peso da China no comércio exterior
As vendas brasileiras rumo aos Estados Unidos registraram queda de 14% em maio na comparação anual, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. O resultado reforça um movimento de retração que já vinha sendo observado desde o segundo semestre passado.
Os números ainda não permitem concluir que houve uma mudança estrutural na relação comercial entre os dois países
Queda nas vendas para os EUA
Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,09 bilhões, enquanto as importações vindas de lá ficaram em US$ 3,21 bilhões — ambos em queda na comparação anual. O déficit do mês ficou em US$ 121 milhões.
No acumulado de janeiro a maio, as trocas com os EUA mostram retração: exportações de US$ 14,01 bilhões (-16%) e importações de US$ 15,48 bilhões (-12,6%), resultando em déficit de US$ 1,47 bilhão. A parcela dos EUA nas exportações do Brasil recuou de 12% para 9,7%.
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, destaca que essas variações ainda não comprovam uma mudança estrutural nas relações com Washington. Segundo ele, ajustes no comércio internacional costumam levar tempo e dependem muito da composição da pauta.
China assume protagonismo
Enquanto as vendas ao mercado americano minguaram, a China aumentou sua participação. Em maio, as exportações brasileiras para o país asiático subiram 9,5%, alcançando US$ 10,5 bilhões, e as importações cresceram 24,2%, para US$ 6,8 bilhões. O superávit do mês com a China foi de US$ 3,7 bilhões.
Imagem: Divulgação
No período de janeiro a maio, o intercâmbio com a China acumulou US$ 43,26 bilhões em exportações (+21,8%) e US$ 30,76 bilhões em importações (+4,1%), gerando superávit de US$ 15,5 bilhões. A participação chinesa na pauta exportadora avançou para 32,9%.
Petróleo e combustíveis redesenham fluxos
O MDIC aponta que o conflito no Oriente Médio e os impactos nos preços internacionais ajudaram a elevar o valor das vendas brasileiras de combustíveis derivados de petróleo. Em maio, óleos combustíveis tiveram salto de 75,2% em volume e 49,8% em valor.
Por outro lado, a exportação de petróleo bruto registrou queda: valor menor em 9,3% e volume embarcado recuou 42,1% no mês. As autoridades consideram esse movimento mais pontual do que resultado de medidas recentes como imposto de exportação, ressaltando que a produção e investimentos no setor seguem.
Panorama geral e balanço
No acumulado até maio de 2026, o Brasil alcançou superávit comercial de US$ 32,662 bilhões, acima dos US$ 24,33 bilhões do ano anterior. O desempenho foi puxado pelo aumento das vendas à China e pela valorização de produtos do setor de energia e de commodities.
Os dados sugerem um comércio exterior em transição: menos dependência relativa do mercado americano, maior peso chinês e uma influência crescente de choques de preço globais. Resta observar se a trajetória de adaptação vai se consolidar ao longo dos próximos meses.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6