La Samaritaine abre o átrio para o Brasil: moda, arte e design brasileiros dominam o verão em Paris

Entre julho e agosto, uma seleção de grifes e criadores brasileiros transforma o departamento histórico em palco de experimentos, encontros e intervenções

O prédio Art Déco à beira do Sena, reaberto após anos de restauração, volta a respirar novidade. Pela primeira vez no calor do verão europeu, o grande átrio da La Samaritaine ganha uma programação inteira dedicada ao que o Brasil produz hoje em moda, objeto e imagem. A mostra, assinada como Brésil à La Samaritaine – Bold Summer Edition, promete provocar olhares e conversas entre parisienses e visitantes.

Peças, projetos e quem assina — do estúdio ao cenário

Na vitrine, nomes de destaque da moda brasileira dividem espaço com propostas de beleza e acessórios pensadas para movimento e clima. Estão presentes marcas como Lapima, La Sirène, FARM Rio, Água de Coco, Glorinha Paranaguá, Venera, Viv Beauty, Manolita, Missinclof e Vehr — uma seleção que mistura energia tropical e acabamento refinado.

No campo do design e da arte, a Bref Art Design apresenta artistas que transitam entre objeto e instalação. O designer Maximiliano Crovato leva peças que oscilam entre mobiliário e escultura; em parceria com o estúdio Papelaria, transformou a icônica cadeira Giancarlo ao “vesti‑la” com um papel que enfrenta chuva e sol, e concebeu um jardim em papel como paisagismo íntimo.

Jay Boggo traz trabalhos nas fronteiras entre moda, imagem e matéria têxtil. Maritza Caneca parte de azulejos de piscina para construir cenografias que remetam à arquitetura modernista — superfícies que conversam com cor e luz. Também integram a seleção Lilian Malta, Pedro Yossef e outros criadores que exploram cerâmica, mobiliário e superfícies com olhar contemporâneo.

Imagem: Ap

Além das peças expostas, a programação intercala encontros, ativação de espaços e experiências exclusivas, com conteúdos editoriais e ações pensadas para públicos variados. A direção artística é coordenada por Lucio Fonseca (LF Office Paris); a cenografia foi desenvolvida por Jessica Castelari em parceria com Atelier Glam. A curadoria de arte e design é da Bref Art Design, liderada por Pat Monteiro Leclercq, e a produção executiva e estratégia de conexão entre França e Brasil ficou a cargo da Onélia Agency, de Dayana de Moraes Bandini.

O resultado promete mais do que vitrines: busca traduzir uma cena brasileira que troca o rótulo do exótico por linguagem, técnica e circulação internacional. No coração de Paris, o projeto oferece uma leitura contemporânea do país — onde tradição modernista e experimentação convivem em objetos que funcionam tanto no espaço doméstico quanto nas ruas do mundo.