As cheias que atingiram Juiz de Fora desde a noite de segunda-feira (23) levaram ao menos 30 mortes e deixaram 39 pessoas desaparecidas, além de mais de 3 mil moradores desabrigados. Escolas foram transformadas em abrigos e o Governo Federal reconheceu estado de calamidade pública no município. No mesmo período, o litoral de São Paulo permanece sob alerta vermelho da Defesa Civil, com o aviso renovado até sexta-feira (27) por risco de alagamentos e deslizamentos.

O cenário de danos humanos e materiais reacendeu o debate entre entidades do setor de seguros sobre a criação de um mecanismo nacional específico para catástrofes naturais. Representantes ouvidos afirmam que o país precisa estruturar um produto com abrangência e mecanismos de compartilhamento de risco para reduzir a pressão sobre famílias, empresas e o orçamento público.

Agenda regulatória e proposta de instrumento

O tema entrou como prioridade no Plano de Regulação 2026 da Susep (Superintendência de Seguros Privados). A autarquia diz reconhecer que eventos climáticos extremos ocorrem com maior frequência e impacto econômico, exigindo novas respostas de política pública e de mercado. Segundo a Susep, a discussão deve contemplar formas de repartição de riscos e incentivos para ampliar coberturas, com objetivo de fortalecer a resiliência financeira do país de maneira sustentável.

A CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) também advoga pela criação de um seguro nacional para catástrofes, citando a rápida elevação na ocorrência de eventos climáticos: a média anual subiu de cerca de 2.500 no período 2015–2019 para aproximadamente 4.500 entre 2020–2024, segundo estudo “Radar de Eventos Climáticos e Seguros do Brasil”.

Impactos financeiros e cobertura insuficiente

Levantamento da CNseg aponta prejuízos estimados em R$ 184 bilhões entre 2022 e 2024 causados por desastres naturais. Apenas cerca de 9% dessas perdas estavam cobertas por seguro, índice que cresceu para 13% em 2024, mas ainda considerado baixo em comparação a padrões internacionais. No ano anterior, as indenizações pagas totalizaram R$ 60,4 bilhões, dos quais R$ 7,3 bilhões (12%) se relacionaram a eventos climáticos.

O caso do Rio Grande do Sul em 2024 ilustra a lacuna: estimativa de reconstrução em R$ 89 bilhões, enquanto as indenizações pagas pelo mercado segurador giraram em torno de R$ 6 bilhões — uma cobertura privada de cerca de 7%, deixando 93% das perdas a cargo do setor público e de afetados.

Estudos internacionais, como o da Mapfre Economics apresentado na COP30, também indicam que as mudanças climáticas aumentam prejuízos e pressionam o mercado global de seguros.

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Cobertura atual e orientações ao consumidor

Entidades alertam que apólices residenciais e empresariais básicas costumam cobrir incêndio, queda de raio e explosão; riscos como enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos geralmente exigem contratação adicional e podem ter sub-limites e franquias específicas. A Susep recomenda que consumidores avaliem suas necessidades e compararem coberturas, enquanto a CNseg orienta verificação detalhada das exclusões e inclusões nas apólices.





As entidades sugerem que o consumidor cheque, entre outros itens:

  • Quais eventos estão cobertos (alagamento, inundação, vendaval, desmoronamento, danos elétricos);
  • Necessidade de coberturas adicionais para riscos climáticos;
  • Limites de indenização e sublimites por tipo de dano;
  • Franquias e carências aplicáveis;
  • Exclusões contratuais que possam restringir a proteção;
  • Para empresas, eventual cobertura para lucros cessantes.

O debate sobre um instrumento nacional de seguro para catástrofes segue em pauta entre regulador e mercado, enquanto municípios e estados lidam com os efeitos imediatos das chuvas.

Com informações de Infomoney