A Espanha concluirá nesta segunda-feira a evacuação do navio MV Hondius, ligado a um surto de hantavírus que resultou na morte de três passageiros e acionou alertas sanitários internacionais. A operação ocorre no porto de Granadilla, em Tenerife, nas Ilhas Canárias, e envolve desembarque controlado, voos especiais, quarentenas e acompanhamento dos passageiros pelos países de destino.

Os últimos 22 ocupantes do navio deixarão a embarcação em um único voo com destino aos Países Baixos, encerrando a fase iniciada no domingo. Segundo Mónica García, ministra da Saúde da Espanha, passageiros que inicialmente seriam enviados em um voo australiano também seguirão para território holandês porque a Austrália não conseguiu “garantir a chegada a tempo” da aeronave de evacuação.

García informou que permanecerão 32 pessoas a bordo, e que o Hondius seguirá para os Países Baixos com tripulação reduzida e com o corpo de uma passageira alemã vítima do surto.

Como funciona a operação

O navio permanece fundeado sem atracar diretamente no cais, atendendo a exigências das autoridades regionais das Canárias. Os passageiros são retirados em grupos e transportados por lanchas até o porto, onde embarcam em ônibus protegidos com destino ao aeroporto de Tenerife Sul, localizado a cerca de 15 minutos.

As repatriações são organizadas por nacionalidade. No domingo partiram voos especiais para Madri, França, Países Baixos, Canadá, Irlanda, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos. O voo holandês levou também um passageiro argentino e um tripulante guatemalteco — os dois únicos latino-americanos a bordo.

Antes de deixar Tenerife, a embarcação receberá combustível e provisões. O prazo previsto para a conclusão completa da operação é 19h no horário local.

Casos sintomáticos e medidas sanitárias

A etapa final da evacuação acontece após o surgimento de dois novos casos sintomáticos entre quase cem passageiros e tripulantes já desembarcados: um americano e uma francesa. As autoridades classificaram os evacuados como “contatos de alto risco” e muitos países adotaram protocolos rígidos de isolamento e monitoramento; a maioria dos passageiros deverá cumprir quarentena ao chegar ao destino.

Imagem: Ap

Os Estados Unidos disseram que seus cidadãos não serão necessariamente submetidos à quarentena obrigatória, posição que gerou preocupação na Organização Mundial da Saúde. O diretor-geral da OMS advertiu que a decisão envolve “riscos”. Jay Bhattacharya, diretor interino dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, procurou acalmar a situação afirmando: “Isto não é Covid-19”.

Reações locais e posicionamento do governo

A operação suscitou críticas de autoridades regionais das Ilhas Canárias, que mostraram resistência desde o começo. Rosa Dávila, presidente do conselho da ilha de Tenerife, criticou a condução da evacuação após o aparecimento dos novos casos suspeitos e afirmou que os passageiros evacuados não passaram por testes PCR antes da repatriação.

O governo espanhol, por sua vez, defende que o protocolo adotado em Tenerife seguiu critérios rigorosos de controle sanitário. Questionada sobre o surgimento de novos casos, Mónica García evitou polemizar e afirmou que o país está focado em garantir o sucesso da operação.

Em mensagem divulgada à bordo, o capitão do Hondius, Jan Dobrogowski, agradeceu à tripulação e aos passageiros e disse que a embarcação enfrentou a situação com “união e força”, esperando que todos possam “voltar para casa sãos, salvos e com boa saúde”.

Com informações de Infomoney