Léo Santana, trader e CEO da Top Gain, afirmou que reduzir parte da posição — a chamada parcial — é uma ferramenta essencial para proteger o capital e permitir que operações vencedoras se estendam quando o mercado oferece oportunidade. As afirmações foram feitas no episódio 34 da 3ª temporada do programa A Arte do Trade, exibido no canal GainCast.

Parcial e payoff

Segundo Santana, muitos operadores dedicam energia excessiva a elevar a taxa de acerto e acabam negligenciando a relação risco-retorno. Para ele, a lucratividade sustentável no longo prazo depende mais da capacidade de ampliar ganhos do que de acertar todas as entradas. A parcial, na visão do trader, funciona como um reposicionamento do risco: ao reduzir rapidamente parte da posição, o operador alivia a tensão emocional, protege capital e mantém a operação aberta em busca de movimentos maiores. “Não quer perder dinheiro no mercado financeiro, é só fazer parcial”, afirmou.

Para Santana, o erro comum é utilizar a parcial de forma equivocada, encerrando trades vencedores cedo demais. Esse comportamento, segundo ele, prejudica o payoff e dificulta ganhos consistentes ao longo do tempo. “A parcial ela tira o meu risco”, disse, ressaltando que o objetivo é aumentar o potencial de ganho sem ampliar a exposição financeira de maneira descontrolada. “A galera tem medo de ganhar dinheiro.”

Errar rápido e barato

O executivo também defende aceitar o erro como parte intrínseca da atividade. Traders que buscam evitar perdas a todo custo criam pressão psicológica que compromete decisões no pregão. Por isso, Santana prefere stops curtos e definidos, estruturando um modelo em que perdas sejam pequenas e rapidamente controladas. “A gente precisa errar curto, rápido e barato”, afirmou.

Ele informou que, mesmo operando ao vivo diariamente, sua taxa de acerto gira em torno de 55%, percentual que considera ligeiramente acima do equilíbrio probabilístico do mercado. Ainda assim, mantém lucratividade graças ao foco no payoff e na relação risco-retorno: “Como é que você ganha dinheiro? Risco-retorno”.

Crítica ao scalping e ao médio para trás

Santana distingue uso de parciais curtas de estratégias baseadas exclusivamente em scalping. Para ele, operações extremamente curtas podem criar uma falsa sensação de eficiência, já que custos operacionais e a relação risco-retorno comprometem a viabilidade. “Scalping é a falsa sensação do dinheiro rápido e fácil”, afirmou.

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Ele também criticou a prática de “médio para trás”, em que o operador aumenta posição em perdas para melhorar o preço médio, apontando que isso gera risco assimétrico e pode resultar em perdas difíceis de controlar em alta volatilidade. “Tem duas coisas que não funcionam: scalping e médio para trás”, alertou.





Santana concluiu que sua abordagem combina proteção rápida com possibilidade de capturar movimentos maiores do mercado, enfatizando que o objetivo não é acertar sempre, mas construir uma matemática operacional sustentável no longo prazo. “Eu preciso fechar esse risco-retorno”, finalizou.

Com informações de Infomoney