O mercado brasileiro de medicamentos para emagrecimento baseado em semaglutida — substância que dá origem a produtos como Ozempic e Wegovy — deve enfrentar uma forte concorrência a partir de março de 2026, quando vence a patente do princípio ativo. Laboratórios nacionais e estrangeiros já se mobilizam para protocolar registros de genéricos e similares, na expectativa de ampliar o acesso e baixar os valores praticados.

A corrida pelos registros e o efeito nos preços

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a disputa pode derrubar os preços em até 50%, ante a faixa atual de R$ 900 a R$ 3.000 por caneta. Um relatório da UBS BB Corretora projeta que o faturamento com agonistas de GLP-1, classe que inclui a semaglutida, salte de R$ 11 bilhões em 2025 para R$ 20 bilhões ainda neste ano.

O potencial de expansão reflete demanda reprimida: apenas 1,1% dos adultos com sobrepeso e 2,5% das pessoas obesas utilizam essas terapias no Brasil. Para o Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos), a concorrência será o principal mecanismo para fazer o custo cair e democratizar o acesso.

Dados da Anvisa apontam que já há 11 pedidos de registro para versões sintéticas de semaglutida e sete para liraglutida (princípio de Saxenda e Victoza). Na área de biológicos, constam entre as solicitações combinações de semaglutida com insulina icodeca — em aplicação semanal — além de versões isoladas dos dois ativos. Empresas como EMS, Eurofarma e Hypera anunciaram investimentos para produzir localmente essas formulações.

Desafios para inclusão no SUS e na saúde suplementar

No âmbito público, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) rejeitou a semaglutida em 2025 por causa do impacto orçamentário, estimado em R$ 7 bilhões em cinco anos. Há negociações entre a EMS e a Fiocruz para transferência de tecnologia e produção das canetas na rede pública.

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Nos planos de saúde, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal restringem a cobertura obrigatória de medicamentos fora do rol da ANS. Entre 2023 e 2025, cresceu também o número de ações judiciais para garantir acesso às “canetas emagrecedoras”, sendo 67% delas movidas contra o Estado.

Especialistas lembram que a queda de preços não basta para garantir resultados sem acompanhamento médico, nutricional e mudança de estilo de vida. Sem esse suporte multidisciplinar e foco em desfechos clínicos — prevenção de infartos e doenças renais —, o tratamento tende a ser apenas paliativo, principalmente num país onde 68% da população está acima do peso.

Com informações de Olhardigital