A startup brasileira Food To Save transformou excedentes alimentares em receita e impediu que parceiros desperdiçassem R$ 31 milhões em 2025. A iniciativa atua como um marketplace que reúne itens em perfeitas condições de consumo, mas que não foram vendidos por estarem próximos da validade ou fora do padrão estético.

No varejo de alimentos, onde margens líquidas variam entre 2% e 4%, perdas mínimas viram impacto financeiro relevante. Lucas Infante, CEO da Food To Save, afirma que o descarte de produtos chega, em média, a 1% do faturamento bruto das redes, o que pode representar até um terço do lucro líquido das operações — cenário que motivou a tese de atuação da foodtech.

Fundada em 2021, a empresa comercializa os excedentes por meio de “Sacolas Surpresa”, ofertas com descontos de até 70%. Esse formato permite que o estabelecimento escoe o estoque que restou ao fim do dia sem exigir um inventário unitário detalhado no aplicativo, simplificando o processo de venda.

Geração de receita e tráfego

Além de converter prejuízo em vendas, a plataforma também funciona como geradora de tráfego para os pontos de venda. Cerca de 60% dos pedidos são retirados no local (pick-up) e mais da metade desses clientes adquire algum item adicional no estabelecimento, segundo Infante.

Em 2025, a Food To Save contabilizou R$ 160 milhões em faturamento e atribui parte desse resultado ao modelo que aproveita excedentes. Para 2026, a startup projeta chegar a R$ 220 milhões.

Estratégia de expansão e operação

Para sustentar o crescimento, a companhia decidiu adiar planos de internacionalização na América Latina e concentrar esforços em aumentar a densidade nas cidades onde já opera. O modelo é asset-light: a entrega é totalmente terceirizada e integrada via API, o que permite à empresa focar em tecnologia e no aumento da base de parceiros.

Food To Save evitou que parceiros perdessem R$ 31 milhões com excedentes em 2025

Imagem: Divulgação

Posicionamento e parceiros

A Food To Save investe também em educação e branding para afastar termos pejorativos do discurso comercial. A empresa privilegia o conceito de “excedente” em vez de “resto” ou “sobra”, ressaltando que os produtos oferecem condições de consumo e foram apenas consequência de previsão de demanda equivocada.

Entre os grandes clientes que ajudaram a dar credibilidade ao modelo estão Cacau Show, Grupo CRM (Kopenhagen e Brasil Cacau), GPA (Pão de Açúcar e Extra) e St Marche. Atualmente, a rede da Food To Save conta com mais de 5 mil estabelecimentos parceiros em 118 cidades brasileiras, incluindo 14 capitais.

Com informações de Infomoney