Em 10 de fevereiro de 2026, a Fitness Brasil ressaltou a emergência de indicadores que utilizam dados de frequência cardíaca para avaliar o impacto real do exercício no corpo, substituindo métricas tradicionais como contagem de passos e minutos ativos.

Limites da contagem de passos

A contagem de passos registra apenas o deslocamento, sem distinguir intensidade. Caminhadas leves e rápidas podem resultar em valores semelhantes, embora provoquem respostas cardiovasculares distintas. Além disso, práticas como musculação, ciclismo, natação, remo e elíptico, todas importantes para a saúde do coração, não são consideradas nessa métrica.

“Se duas pessoas acumulam 10 mil passos, mas uma fez isso em ritmo leve e a outra em esforço elevado, o estímulo para o coração não é o mesmo. É por isso que passos não são uma métrica fisiológica”, explica Daisy Motta, diretora da Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde e pesquisadora na área de exercício e saúde.

PAI: meta semanal personalizada

O PAI (Personal Activity Intelligence) converte variações da frequência cardíaca em uma pontuação semanal, ponderando o tempo e a intensidade com que o coração se mantém em níveis elevados para cada pessoa. Atividades moderadas a vigorosas geram pontos mais rapidamente, enquanto esforços leves somam pontos de forma mais gradual.

Estudos indicam que atingir mais de 100 pontos de PAI por semana está associado à redução significativa de riscos como infarto, doenças coronarianas e mortalidade por causas cardíacas. “O PAI trouxe algo muito poderoso: uma meta simples e flexível. Não importa se a pessoa treina todo dia ou não — o que importa é acumular esforço suficiente ao longo da semana”, afirma Motta.

A evolução para o AQ

O AQ (Activity Quotient), desenvolvido pela Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia (NTNU) e disponível no aplicativo Mia Health, é a versão mais recente do conceito. Embora muitos dispositivos ainda exibam o nome PAI, o AQ emprega um algoritmo que atribui pesos diferentes a cada batimento cardíaco com base na intensidade relativa.

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“Todos os batimentos contam. Mas nem todos contam igual”, diz o fisiologista Ulrik Wisløff, um dos idealizadores do AQ. Segundo ele, o indicador reflete a carga fisiológica real, considerando tanto a duração quanto o esforço de cada indivíduo ao longo do dia.

O AQ também ajusta a pontuação conforme o nível de condicionamento físico e o perfil cardíaco de cada usuário, tornando-se uma ferramenta valiosa para profissionais de Educação Física. “Quando o profissional entende que não basta ‘se mexer’, mas sim fazer o coração trabalhar, a conversa com o aluno muda completamente”, destaca Motta.

Com a adoção de métricas baseadas em frequência cardíaca, academias e treinadores podem oferecer prescrições mais personalizadas, focadas na qualidade do esforço em vez da simples quantidade de movimento, promovendo saúde cardiovascular de forma sustentável e integrada ao dia a dia.

Com informações de Fitnessbrasil