Jovens da Geração Z têm enfrentado dificuldades para se adaptar ao ambiente corporativo por faltar experiências presenciais e práticas de interação social, segundo especialistas. Esse déficit tem impacto direto na rotatividade, no desempenho e na formação de lideranças nas organizações, alertam estudos e profissionais citados na reportagem.
O que está acontecendo
A combinação de menos convívio cara a cara, anos de educação remota e comunicação predominantemente assíncrona reduziu as oportunidades de desenvolver competências sociais essenciais ao trabalho, como empatia, cooperação, resolução de conflitos e comunicação em situações espontâneas. O resultado é que muitos recém-chegados ao mercado chegam despreparados para lidar com a complexidade das relações profissionais.
Consequências no dia a dia e na carreira
Empresas vêm registrando aumento de desligamentos e saídas voluntárias entre profissionais mais jovens, que frequentemente deixam cargos sem entender por que foram demitidos ou retiraram-se. Quem permanece no quadro relata frustração, enquanto gestores reclamam da dificuldade em entender o comportamento desses trabalhadores. Especialistas alertam que, se a tendência persistir, corre-se o risco de uma geração sem experiência suficiente para colaborar ou liderar, comprometendo o funcionamento futuro das organizações.
Fatores que contribuíram
Entre as causas apontadas está a menor vivência de relacionamentos pessoais: pouco mais da metade dos jovens chega à vida adulta tendo tido um relacionamento amoroso, número inferior ao das gerações anteriores. Essas experiências interpessoais ajudam a desenvolver comunicação e resolução de conflitos.
Outro elemento é o avanço do ensino online. Ambientes presenciais de ensino costumam servir como um treinamento para o mercado de trabalho, promovendo colaboração, networking e entendimento de normas sociais. A substituição dessas interações por aulas virtuais reduziu esse aprendizado. Além disso, a prática comunicativa centrada em mensagens digitais dificulta lidar com situações imprevistas, como reuniões, conversas difíceis e feedback imediato.
Situações comuns de dificuldade
Essas lacunas se manifestam em situações corriqueiras, como apresentações em equipe nas quais colegas interrompem ou falam por cima — casos que demandam enfrentamento direto — e na dificuldade de identificar se um problema deve ser tratado com o time ou diretamente com a liderança. Sem repertório para gestão de conflitos, problemas tendem a permanecer sem solução.
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Medidas sugeridas para empresas
Para mitigar o problema, lideranças devem revisar a comunicação interna, tornando normas explícitas. Regras tácitas — por exemplo, sobre tom de e-mail, uso de emojis e linguagem interna — precisam ser formalizadas para novos contratados. Também é recomendada a definição clara dos canais a serem usados: questões simples podem ser tratadas por mensagem, enquanto conflitos e decisões importantes devem ocorrer por telefone, vídeo ou presencialmente. Incentivar uma cultura em que perguntar é aceito e apoiado é outra medida apontada como essencial para reduzir a insegurança e acelerar o aprendizado.
Especialistas ressaltam que a adaptação exigirá mudança de mentalidade das empresas, que precisam construir formas de comunicação mais diretas e acessíveis para diferentes gerações, reconhecendo que gestores e jovens podem ter compreensões distintas sobre como interagir.
Tessa West é professora de psicologia na New York University e autora de “Terapia do Trabalho: Encontrando um Trabalho que Funciona para Você”. Ela pode ser contatada pelo e-mail [email protected]
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6