Dívida federal sobe 1,91% em abril e se aproxima de R$ 8,8 trilhões após emissão recorde

Emissão de títulos atinge pico e pressiona estoque da dívida

O estoque da dívida pública federal avançou com força em abril. Dados do Tesouro Nacional mostram que o endividamento foi de R$ 8,633 trilhões em março para R$ 8,798 trilhões no mês seguinte — alta de 1,91%.

O motor por trás da alta

O principal fator foi a colocação massiva de títulos, sobretudo aqueles indexados à Taxa Selic. Em abril o Tesouro emitiu R$ 201,09 bilhões em papéis da dívida mobiliária interna — o maior volume já registrado para o mês na série histórica.

Ao mesmo tempo, o governo resgatou R$ 133,05 bilhões. No balanço líquido, a emissão superou os resgates em R$ 68,04 bilhões, e a incorporação de juros (R$ 92,54 bilhões) também inflou o saldo.

Selic em 14,5%: efeito direto no montante

Com a Selic em 14,5% ao ano, os títulos atrelados a essa taxa passaram a acumular juros elevados, que são apropriados mensalmente ao estoque da dívida. Esse movimento tem impacto direto no crescimento do total devido.

Dívida externa e uma operação em euros

A parcela externa da dívida federal cresceu 1,28% em abril, de R$ 331,64 bilhões para R$ 335,88 bilhões. Entre as operações do mês, destaca-se a emissão de 5 bilhões de euros, registrada em meados de abril.

Colchão financeiro volta a crescer

Depois de cair em março, a reserva de liquidez — o chamado colchão — saltou de R$ 885 milhões para R$ 1,091 trilhão em abril. Segundo o Tesouro, isso ocorreu porque as emissões superaram os resgates.

Hoje essa reserva cobre cerca de 8,91 meses de vencimentos. Nos próximos 12 meses há R$ 1,649 trilhão em títulos programados para vencer.

Mudanças na composição da dívida

A estrutura dos títulos também mudou levemente entre março e abril. Papéis atrelados à Selic passaram de 47,71% para 48,59% do estoque. Títulos corrigidos pela inflação ficaram em 26,76%, e os prefixados recuaram para 20,85%.

Imagem: Agencia-brasil

O Plano Anual de Financiamento (PAF) prevê que, ao final do ano, a participação dos papéis vinculados à Selic fique entre 46% e 50%, enquanto os indexados à inflação devem representar 23% a 27%.

Prazo médio e sinal ao mercado

O prazo médio da dívida pública federal subiu levemente, de 4,10 para 4,12 anos. Prazos mais longos costumam indicar maior confiança dos investidores na capacidade do governo de rolar sua dívida.

Quem detém os títulos

A distribuição dos detentores mostra bancos como principais detentores, com 31,46% do estoque. Fundos de pensão respondem por 22,32% e fundos de investimento por 22,17%. Investidores estrangeiros representam 10,38%, leve queda frente aos 10,7% registrados em março.

Uma menor participação de não residentes costuma refletir maior aversão ao risco em momentos de tensão nos mercados — cenário que se intensificou em abril com choques externos.

O que muda para o próximo ano

Com a trajetória de emissões e a pressão dos juros, o Tesouro estima que o estoque dívida deve terminar 2026 entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões, segundo o PAF apresentado em janeiro.

Fecho

O salto em abril mostra como decisões de emissão e o nível dos juros produzem efeito imediato sobre o total devido. O ritmo de colocação de títulos e a composição do portfólio serão determinantes para a evolução da dívida nos próximos trimestres — e para a percepção de risco do mercado.