TRANSMISSÃO: Space
A SpaceX, empresa fundada por Elon Musk, fixa nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, o preço de suas ações para estrear na Nasdaq, nos Estados Unidos. A oferta pode se transformar na maior abertura de capital já registrada no mercado americano caso as projeções de avaliação e a captação previstas sejam confirmadas.
A companhia tem buscado demonstrar aos investidores que sua atuação vai além do transporte espacial. A estratégia exibida no processo de oferta combina telecomunicações, contratos governamentais, inteligência artificial e infraestrutura tecnológica de grande escala como pilares para o crescimento futuro.
Valuation pretendido e comparação com concorrentes
Se as expectativas se mantiverem, a SpaceX poderá alcançar um valor de mercado próximo de US$ 1,75 trilhão, nível que a colocaria entre os grupos empresariais mais valiosos dos Estados Unidos. Esse montante superaria todos os IPOs já realizados nas bolsas americanas e está muito acima das avaliações tradicionais do setor aeroespacial: atualmente a Boeing vale cerca de US$ 170 bilhões, a Lockheed Martin aproximadamente US$ 120 bilhões e a Northrop Grumman cerca de US$ 77 bilhões.
Atuação e fontes de receita
Fundada em 2002 com foco no desenvolvimento de veículos espaciais e lançamentos, a SpaceX ampliou seu escopo ao longo dos anos. A redução do custo de acesso à órbita, em grande parte atribuída ao desenvolvimento de foguetes reutilizáveis como o Falcon 9, permitiu maior frequência de missões e expansão da carteira de clientes comerciais e institucionais.
A empresa mantém contratos com órgãos governamentais dos Estados Unidos, incluindo missões com a Nasa e acordos na área de defesa, que garantem receitas recorrentes e reforçam sua posição estratégica.
Inteligência artificial e data center orbital
Após incorporar a xAI, a companhia passou a integrar formalmente o segmento de inteligência artificial à sua estrutura de negócios. A SpaceX propõe utilizar sua rede de satélites como suporte para infraestrutura computacional, visando atender à demanda crescente por processamento e armazenamento de dados — argumento central para justificar a avaliação ambiciosa.
Especialistas ouvidos no processo apontam que grande parte da valorização projetada está atrelada a esse potencial tecnológico. O professor Egon Daxbacher, do Inteli, afirmou que a expectativa de mercado recai menos sobre os foguetes e mais sobre a capacidade de transformar a constelação em um “data center orbital” de grande escala.
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Por outro lado, analistas mais cautelosos questionam as premissas do prospecto. Guilherme Bastos, fundador e CEO da Ray Consulting, reconhece a força operacional da SpaceX, mas critica a projeção do mercado endereçável, dizendo que o prospecto usa negócios consolidados para extrapolar um TAM que abrange, de forma ampla, grande parte da economia digital de inteligência artificial.
Resultados financeiros e investimentos
Os dados divulgados mostram uma empresa em expansão, mas ainda pressionada por investimentos elevados. Em 2025, a SpaceX registrou receita de US$ 18,7 bilhões, crescimento de 32,7% em relação a 2024. Apesar de resultado operacional positivo, a companhia fechou o ano com prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões, parcela atribuída a desembolsos em projetos estratégicos como o desenvolvimento do Starship e a ampliação das iniciativas ligadas à inteligência artificial.
No Brasil, a atuação da SpaceX se dá principalmente pela Starlink, que atende usuários em áreas urbanas e regiões com infraestrutura limitada, incluindo aplicações no agronegócio, em escolas, empresas e órgãos públicos. A empresa também mantém interlocuções sobre o uso da Base de Alcântara e propostas de conectividade para projetos governamentais.
A precificação das ações será, portanto, um teste sobre o grau de confiança do mercado na visão de longo prazo defendida por Elon Musk: além de avaliar a companhia como prestadora de serviços espaciais, investidores decidirão se a SpaceX conseguirá transformar sua infraestrutura tecnológica em um pilar da economia baseada em inteligência artificial.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6