A escalada do conflito no Oriente Médio reacendeu aversão a risco nos mercados globais, com investidores se preparando para a reabertura dos pregões de ações, juros e energia na noite de domingo (1) em Nova York. Às 17h35 (Brasília UTC-3), sinais apontavam para busca por ativos considerados seguros.
O dólar americano registrou forte valorização, enquanto o franco suíço teve leve alta diante de outras moedas fortes. Entre as principais divisas, o dólar australiano — mais sensível a apetite por risco — foi o que mais recuou nas primeiras negociações. Títulos públicos da Austrália e da Nova Zelândia subiram quando seus mercados abriram.
Após comentários de Donald Trump de que o conflito envolvendo o Irã pode se estender por quatro semanas, o petróleo respondeu com alta. O Brent chegou a abrir em elevação de 13%, mas depois reduziu o ganho para 7,5%, cotado a US$ 78,28 o barril. A Bloomberg Economics estima que um bloqueio no Estreito de Ormuz poderia empurrar o preço para cerca de US$ 108 o barril, considerando que aproximadamente um quinto do petróleo mundial passa por essa via.
Sinais de tráfego marítimo indicaram que o trânsito de petroleiros em Hormuz praticamente cessou, além de relatos de três embarcações atacadas próximo à entrada do Golfo Pérsico, o que ampliou temores sobre maior aperto na oferta. O Irã afirmou que não pretende fechar formalmente a passagem.
Analistas citados pelo mercado ressaltaram que, mesmo sem um fechamento oficial do estreito, desvios de rota e aumento dos prêmios de seguro podem reduzir efetivamente a oferta e gerar novo impulso inflacionário global. No front regional, os principais índices da Arábia Saudita e do Egito caíram mais de 2% no pregão de domingo.
Futuros de ações dos EUA, Treasuries, petróleo e ouro estavam programados para retomar negociações às 18h (horário de Nova York). Enquanto isso, o bitcoin recuava 0,4% às 17h35 em Nova York.
Em cripto e commodities negociadas fora do pregão tradicional, um contrato ligado ao petróleo na bolsa Hyperliquid subiu mais de 4%, atingindo US$ 90,99 o barril no meio da tarde em Nova York. O ouro avançou 1,10%, para US$ 5.379,60 a onça, e a prata foi cotada a US$ 96,65 por onça, alta de 1,88% nas últimas 24 horas. Esses contratos, frequentemente liquidados em USDC, são negociados 24 horas por dia.
Gestores e estrategistas pontuaram que os mercados já enfrentavam preocupações com inteligência artificial, possíveis fragilidades no crédito e valuations elevados, e que a escalada militar na região adiciona um risco adicional que pode afetar oferta de energia e inflação. Em meio a esse cenário, ações de energia e defesa tendem a se valorizar com a abertura das bolsas; a Saudi Aramco, por exemplo, subiu 3,4% no domingo, maior alta em mais de quatro meses.
Imagem: Divulgação
Movimentos pontuais nos mercados
Moedas:
- Euro caiu 0,4%, para US$ 1,1766, às 7h35 em Tóquio
- Iene recuou 0,1%, para 156,27 por dólar
- Yuan offshore caiu 0,3%, para 6,8860 por dólar
- Dólar australiano recuou 0,9%, para US$ 0,7056
Juros:
- Rendimento do título australiano de 10 anos caiu sete pontos-base, para 4,58%
Criptomoedas:
- Bitcoin caiu 0,4%, para US$ 65.389,19
- Ether caiu 0,2%, para US$ 1.925,95
O conjunto de movimentos reflete uma leitura de menor apetite a risco e preocupação com o impacto do conflito sobre o transporte marítimo global, oferta de petróleo e pressões inflacionárias, enquanto investidores aguardam novas pistas sobre a duração e a amplitude dos embates na região.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6