A Hapvida decidiu colocar à venda sua operação na região Sul e contratou o BTG Pactual para conduzir o processo, em meio à forte queda das ações e às críticas públicas da gestora Squadra Investimentos. A empresa também reapresentou o boletim de voto da assembleia de acionistas, incluindo três nomes indicados pela Squadra para disputar assentos no conselho de administração.

Operação no Sul

Os ativos anunciados à venda reúnem a estrutura adquirida da Clinipam e do Centro Clínico Gaúcho, além de três hospitais construídos pela própria Hapvida. No total, estão envolvidos oito hospitais, 21 clínicas e uma carteira de aproximadamente 490 mil beneficiários. Se segregada, essa operação formaria a nona maior operadora do país e a segunda maior na região Sul.

A Hapvida investiu cerca de R$ 4 bilhões nessa estrutura: a Clinipam foi comprada em 2020 por R$ 2,6 bilhões e o Centro Clínico Gaúcho em 2021 por R$ 1,06 bilhão, além de aportes realizados nos hospitais próprios. Fontes ouvidas dizem que a venda já vinha sendo debatida no conselho antes da carta pública da Squadra, mas que a pressão da gestora acelerou a decisão.

Reapresentação do boletim e indicados

A companhia reapresentou o boletim de voto a distância para a assembleia marcada para 30 de abril, passando a incluir os três nomes indicados pela gestora Squadra, liderada por Guilherme Aché: Eduardo Parente, Tania Sztamfater Chocolat e Bruno Magalhães e Silva. A Hapvida recomendou que acionistas enviem um novo boletim para evitar instruções conflitantes; o prazo para envio termina em 26 de abril, quatro dias antes da assembleia.

Pressão da Squadra

A Squadra, que detém 6,98% das ações da Hapvida, publicou em 1º de abril uma carta com críticas ao desempenho da empresa desde o IPO em 2018. Segundo a gestora, as ações acumulam queda de 85% desde a estreia na B3, enquanto o Ibovespa subiu 120% no mesmo período. A carta apontou também perda de 238 mil beneficiários no Sudeste e no Sul ao longo de 2025, aumento de alavancagem, eventual não reconhecimento de perda de valor contábil sobre um ágio de R$ 44 bilhões e remuneração considerada elevada da administração.

Participação e avaliação

Paralelamente às mudanças, a família Pinheiro elevou sua participação no capital da Hapvida de 41,5% para 51,3% ao adquirir 47 milhões de ações por meio de um derivativo firmado com o BTG, tornando-se formalmente majoritária. Fontes afirmam que o avanço teve como objetivo consolidar o controle e conter a desvalorização dos papéis, sem intenção de fechar o capital da companhia.

Imagem: Ap

Troca na presidência

A crise também resultou em mudança na liderança: Jorge Pinheiro, após 27 anos como diretor-presidente, anunciou sua saída do cargo. O executivo permanecerá no conselho de administração, e seu substituto será Luccas Adib, atual vice-presidente de finanças, relações com investidores e tecnologia.





A Hapvida está avaliada em cerca de R$ 5,2 bilhões. As ações acumulavam queda de 67% em 12 meses; na quarta-feira (8), com as notícias sobre as mudanças, fecharam em alta de 9,06%, a R$ 11,19.

Com informações de Investnews