Em um posicionamento divulgado nas redes sociais em 26 de janeiro, o grupo de rock australiano Hoodoo Gurus condenou a reprodução de uma de suas músicas durante um comício promovido pelo partido de direita One Nation, liderado pela parlamentar Pauline Hanson.

O episódio ocorreu na comemoração oficial do Dia da Austrália — data que também é marcada por muitos como “Invasion Day”, em protesto contra os impactos da colonização para os povos originários. A banda afirmou ter ficado “nojada” ao saber que sua obra foi executada no evento.

Em trecho da declaração, os músicos afirmaram: “Como a maioria dos australianos, sempre ficamos chocados com Pauline Hanson e as bobagens tóxicas que ela propaga. Não queremos nada a ver com vocês. Na verdade, não cagaríamos em vocês nem se estivessem em chamas.”

Na sequência, o comunicado reforçou o recado à legenda e aos seus simpatizantes: “Não toquem nossas músicas, não escutem nossa banda, não passem do GO!”

O posicionamento dos Hoodoo Gurus acontece em um momento de crescente atenção sobre o uso de material artístico em manifestações políticas — muitas vezes sem autorização dos criadores. Nas últimas edições do Dia da Austrália, o debate sobre o significado da data intensificou-se, com setores da sociedade reivindicando a memória e os direitos dos povos aborígenes.

Poucos dias antes, Colin Hay, vocalista e fundador da banda Men at Work, também se manifestou publicamente contra o emprego não licenciado de “Down Under” em protestos anti-imigração. Em nota, ele declarou: “Quero deixar claro que desaprovo veementemente qualquer uso não autorizado e não licenciado de ‘Down Under’ em eventos de ‘March for Australia’.”

Hoodoo Gurus repudiam uso de música em ato do One Nation no Dia da Austrália

Imagem: Divulgação

Hay acrescentou que “‘Down Under’, música que coescrevi, não pertence a quem tenta semear xenofobia dentro do tecido da nossa grande terra, do nosso grande povo” e finalizou: “Escrevam sua própria canção, deixem a minha em paz.” O músico encerrou a mensagem assinando com seu nome seguido da palavra “(imigrante)”.

Juntas, essas manifestações refletem uma tendência crescente entre artistas australianos de estabelecer limites claros sobre o uso de suas obras em contextos políticos que conflitam com os valores que associam à sua música e ao seu legado.

Com informações de Billboard