Um experimento de campo mostra que ferramentas de inteligência artificial podem elevar a criatividade no ambiente de trabalho, porém esse efeito foi observado somente entre funcionários que demonstraram fortes habilidades metacognitivas. O estudo, intitulado “Como e para quem o uso de IA generativa afeta a criatividade: um experimento de campo”, foi publicado no Journal of Applied Psychology.
Na pesquisa, os autores selecionaram aleatoriamente 250 funcionários e dividiram o grupo em duas frentes: um conjunto passou a usar o ChatGPT como apoio às tarefas; o outro manteve-se sem a ferramenta. Em avaliações subsequentes, os participantes que utilizaram a IA foram considerados mais criativos em comparação aos que não a usaram, mas essa vantagem apareceu apenas entre os que apresentaram habilidades metacognitivas sólidas.
O que são essas habilidades
Segundo os pesquisadores, profissionais com estratégias metacognitivas conseguem identificar informações que lhes faltam, monitorar a eficácia de sua abordagem, reavaliá-la diante da ausência de progresso e aperfeiçoar os prompts usados junto à IA. Em síntese, a metacognição — a capacidade de refletir sobre o próprio pensamento — ajuda a extrair valor das respostas geradas pelas ferramentas, em vez de aceitá-las passivamente.
“A metacognição – pensar sobre o próprio pensamento – é o elo que falta entre simplesmente usar a IA e usá-la bem”, afirma Jackson G. Lu, professor da MIT Sloan School of Management, ao comentar os resultados. “Ela permite que as pessoas façam perguntas melhores, identifiquem lacunas de conhecimento e extraiam valor real das ferramentas de IA, em vez de depender delas passivamente”, completou Lu.
Implicações para empresas
Os autores ressaltam que há curva de aprendizado no uso da IA e que sua simples disponibilização não garante ganhos criativos. “Nem mesmo a IA mais poderosa aumentará a criatividade se as pessoas não souberem usá-la de forma eficaz”, diz Lu, que recomenda a combinação da adoção de ferramentas com treinamento em metacognição para ampliar os benefícios.
Imagem: Divulgação
Sabrina H. Williams, pesquisadora da University of South Carolina que estuda os efeitos da tecnologia sobre o pensamento criativo, afirma que o estudo confirma achados prévios: “a IA não torna automaticamente as pessoas mais ou menos criativas”. Para Williams, o resultado depende da capacidade dos usuários de analisar as respostas da IA e reagir a elas. “Boas habilidades metacognitivas podem ajudar os profissionais a usar a IA como parceira em sessões de brainstorming, sem que fiquem presos às primeiras respostas oferecidas por ela nem terceirizem o discernimento que a criatividade exige”, explicou.
Os autores também observam que muitos profissionais já recorrem à IA para desenvolver novas competências e habilidades no trabalho, mas destacam que aprender a pensar sobre o próprio pensamento pode ser tão importante quanto aprender a operar a ferramenta em si.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6