O preço de veículos leves usados no Brasil registrou aceleração no início de 2026, segundo o IBV Auto, indicador do banco BV. O índice subiu 0,55% em fevereiro, após avanço de 0,90% em janeiro, marcando o melhor resultado para o mês desde 2022.

No acumulado dos últimos 12 meses até fevereiro, o IBV Auto mostra alta de 6,60%, nível mais elevado desde março de 2023, o que sinaliza fortalecimento da demanda por carros no país.

Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, relaciona a evolução dos preços do setor automotivo a um ambiente econômico mais aquecido. Padovani observa que, embora o aumento em fevereiro seja mais moderado que o de janeiro, o ritmo em 12 meses chama atenção: o indicador passou de 5,31% em dezembro para 6,60% em fevereiro.

Fatores que ajudam a explicar a alta

O banco BV identifica vários vetores por trás do movimento: expansão dos gastos públicos, bom desempenho das exportações e uma atividade interna resiliente, mesmo diante de juros elevados. Segundo a instituição, parte da demanda migrou para o mercado de usados devido à pressão sobre os preços dos veículos zero-quilômetro, o que tem sustentado o aumento das cotações dos seminovos fora do período sazonalmente mais fraco do início do ano.

Jamil Ganan, vice-presidente de Varejo do banco BV, reforça que a combinação entre demanda firme e repasse de preços explica o desempenho observado no primeiro bimestre.

Diferenças regionais

Regionalmente, o Centro-Oeste foi a região com maior variação mensal em fevereiro, registrando alta de 0,77%, puxada principalmente por Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No acumulado em 12 meses, a liderança ficou com a região Norte, com destaque para Rondônia (+7,67%), Amazonas (+7,63%) e Tocantins (+7,49%).

Valorização por modelos

Entre os modelos mais comercializados, o Chevrolet Ônix registrou a maior valorização em fevereiro, com ganho de 2,06%, seguido pelo Toyota Corolla (+1,69%) e pelo Volkswagen Gol (+0,56%). Em sentido contrário, pressionaram o índice modelos como Toyota Hilux SW4 (-3,30%), Volkswagen T-Cross (-0,96%) e Nissan Kicks (-0,89%).

Imagem: Divulgação

Elétricos e híbridos

O IBV Auto também aponta diferenças entre tipos de motorização. Veículos elétricos lançados em 2023 acumulam desvalorização média de 45,1% até fevereiro de 2026, influenciada pela queda nos preços dos modelos novos e maior concorrência entre fabricantes. No mesmo recorte, híbridos 2023 caem em média 26,4%, enquanto veículos a combustão comparáveis recuam 21,6%.

Para modelos de 2022, a perda de valor dos elétricos chega a 48,4%; híbridos, 21,1%; e veículos a combustão, 13,4%.

Implicações econômicas

Economistas afirmam que o mercado de automóveis funciona como termômetro da atividade econômica, pois a compra de veículos envolve renda, crédito e confiança. Padovani alerta que o aquecimento do mercado eleva os preços e pode ter impacto sobre a inflação, exigindo atenção do Banco Central no momento em que a autoridade monetária se prepara para iniciar um ciclo de cortes na taxa básica de juros, caso outros indicadores confirmem a aceleração da atividade no primeiro trimestre.

O avanço do segmento de usados ocorre ao lado de crescimento moderado nas vendas de veículos novos. A Fenabrave registrou 2,6 milhões de unidades em 2025, alta de 2,1% sobre 2024, e projeta crescimento próximo de 3% para 2026. No começo do ano foram cerca de 160 mil veículos leves em janeiro, número que confirma a retomada gradual do setor.

Com informações de Infomoney