TRANSMISSÃO: Band

A síndrome do impostor se manifesta quando uma pessoa acredita não merecer suas conquistas, temendo ser descoberta como uma fraude. Em vez de atribuir o sucesso às próprias capacidades, quem sofre desse sentimento tende a creditá-lo à sorte, a oportunidades únicas ou a falhas alheias que lhes permitiram escapar do escrutínio. O fenômeno alcança diversos perfis, de executivos e artistas a profissionais considerados modelos de sucesso.

Figuras públicas já relataram essa experiência. A executiva Sheryl Sandberg, formada em Harvard e ex-diretora de operações do Facebook, descreveu em seu livro de 2013, Lean In, a sensação recorrente de achar que havia ido mal em provas e de que, quando obtinha bons resultados, acreditava estar enganando os outros até ser desmascarada.

Como a inteligência emocional atua

A inteligência emocional — entendida como a habilidade de reconhecer, compreender e gerir emoções próprias e alheias — oferece ferramentas práticas para enfrentar a síndrome do impostor. Essa competência ajuda a distinguir entre as emoções momentâneas e os fatos, reduzindo o impacto de pensamentos autodepreciativos e permitindo reconhecer o próprio mérito.

Autoconsciência e diálogo interno

A autoconsciência, pilar da inteligência emocional, cria um espaço entre o que se sente e o que é comprovável. Com esse distanciamento, é possível aceitar inseguranças sem tratá-las como verdades absolutas e, assim, optar por interpretações que validem o esforço e as habilidades que geraram os resultados.

Pessoas com maior inteligência emocional costumam compartilhar dúvidas e descobrem que essas incertezas são comuns, o que contribui para normalizar o sentimento e reduzir a sensação de isolamento.

Imagem: Anton Vierietin via Getty Images

Perfeccionismo e autocrítica

Muitos afetados pela síndrome do impostor mantêm uma postura autocrítica intensa. É o caso de Suzanne Smith, professora universitária e CEO da Social Impact Architects, que se define como “perfeccionista em recuperação”. Smith trabalhou ao longo de anos a consciência emocional sobre essa tendência, adotando um diálogo interno mais positivo e ensinando essa abordagem a alunos e clientes. Ela também compartilha sua experiência em uma newsletter semanal no Substack.

Empatia, autocompaixão e regulação emocional

A empatia facilita ver tanto as forças alheias quanto as próprias, enquanto a autocompaixão permite tratar-se com mais indulgência diante de erros. A regulação emocional ajuda a conter a ansiedade que a síndrome pode provocar, evitando comportamentos de preparação excessiva ou de evitação. Pessoas que praticam essas habilidades lembram-se de sucessos passados e interpretam fracassos como oportunidades de aprendizado, em vez de sinais de insuficiência.

Ao adotar práticas de inteligência emocional — como diferenciar sensação e fato, procurar apoio e reinterpretar contratempos — é possível reduzir o impacto da síndrome do impostor e reconhecer conquistas de forma mais realista.

Com informações de Fastcompanybrasil