Investidores têm direcionado recursos de fundos de ações para ETFs listados na B3, em um movimento puxado pela valorização das ações brasileiras e pela busca por produtos mais simples e de menor custo. Um ETF que replica o Ibovespa registrou retorno próximo de 18% em dois meses em 2026, enquanto fundos de ações tradicionais apresentaram ganho médio de 9,2% no mesmo período.

No horizonte de 12 meses a diferença também é marcante: o Ibovespa avançou 52%, contra 37% de média dos fundos de ações. Esses números ajudam a explicar a migração acelerada de recursos para produtos indexados ao principal índice da bolsa.

Atualmente há cerca de 150 ETFs de diferentes tipos negociados na bolsa brasileira, mas a atenção dos investidores tem se concentrado na parcela que replica o Ibovespa. São oito ETFs com esse objetivo na B3, que se diferenciam por taxa de administração e liquidez. O mais negociado é o BOVA11, da BlackRock, com volume médio diário de R$ 901 milhões.

Outros ETFs com exposição ao Ibovespa e suas respectivas taxas e volumes médios diários são: BBOV11 (Banco do Brasil) — taxa 0,00% e volume médio de R$ 7,2 milhões; IBOB11 (BTG Pactual) — 0,03% e R$ 2,8 milhões; BOVV11 (Itaú Asset) — 0,10% e R$ 95 milhões; BOVX11 (XP Asset) — 0,15% e R$ 13,1 milhões; BOVB11 (Bradesco Asset) — 0,20% e R$ 11,2 milhões; BOVS11 (Safra Asset) — 0,25% e R$ 529 mil; e XBOV11 (Caixa) — 0,50% e R$ 121 mil.

O custo de administração pesa na comparação entre estratégias passivas e ativas. Por exemplo, um aporte de R$ 10 mil em um ETF com taxa anual de 0,50% geraria aproximadamente R$ 248 em taxas ao longo de cinco anos; a mesma aplicação em um fundo de ações com taxa de 2% geraria cerca de R$ 961 no mesmo período, sem considerar tributação sobre rendimentos.

Gestões ativas podem oferecer equipes e processos sofisticados, mas, na média, a capacidade de superar consistentemente o mercado tem se mostrado limitada. Isso, somado ao menor custo e à maior praticidade dos ETFs, explica parte da migração. Resgates em fundos de ações cresceram tanto no ano quanto em 12 meses acumulados, enquanto os ETFs captam parcela desse fluxo.

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A liquidez é outro fator relevante: ETFs podem ser comprados e vendidos ao longo do pregão como ações, enquanto fundos tradicionais costumam ter prazos de resgate de 30 dias ou mais entre a solicitação e o crédito ao investidor. Em mercados voláteis ou em janelas de oportunidade, essa facilidade de execução passa a ser valorizada.

Além disso, um ETF de Ibovespa dispensa a seleção de um fundo específico ou de ações individuais. No Brasil existem cerca de 4.200 fundos de ações com estratégias variadas, o que exige tempo e análise para identificar os que realmente entregam vantagem. Nesse contexto, produtos passivos têm ganhado espaço frente aos fundos ativos.

O crescimento dos ETFs na oferta de investimentos reflete esses fatores — desempenho relativo, menores taxas e maior liquidez — e vem alterando a alocação de recursos no mercado acionário brasileiro.

Com informações de Investnews