WASHINGTON — Jamieson Greer, 45 anos, tornou-se figura central na formulação e execução da política de tarifas do segundo mandato de Donald Trump, atuando como representante comercial dos Estados Unidos e como articulador das medidas que elevaram impostos sobre importações a patamares não vistos há quase um século.
O ponto de partida da nova fase ocorreu em 26 de janeiro de 2025, quando Greer, então dando aula em uma escola dominical para crianças de 9 anos, começou a receber sucessivas ligações da Casa Branca — seis dias após o início do novo governo — sinalizando que o presidente estava pronto para usar tarifas como principal instrumento de pressão.
Greer, que já havia sido assessor influente em comércio, ofereceu a base legal e técnica para a ampliação das tarifas, defendendo-as como instrumento para revitalizar a indústria manufatureira americana, proteger fabricantes de concorrência externa, atrair relocalização de fábricas e aumentar empregos industriais bem remunerados.
Embora ele veja as tarifas como meio de reforçar a posição dos EUA em negociações, o efeito real sobre a economia ainda é incerto: a manufatura emprega menos de 10% da força de trabalho americana e o número de trabalhadores do setor vem caindo. Fabricantes e consumidores apresentam posições divergentes sobre os custos e benefícios das medidas, e pesquisas apontam queda de apoio a Trump por causa da situação econômica.
Greer construiu sua trajetória com base em experiência na iniciativa privada e em Washington. Foi contratado em 2012 por Robert Lighthizer no escritório Skadden Arps para defender empresas como a U.S. Steel em disputas comerciais. Na administração Trump anterior, serviu como chefe de gabinete de Lighthizer e passou a representar o representante comercial em reuniões de alto nível com a Organização Mundial do Comércio, Coreia do Sul e México. Juntos, lideraram ações contra a China e revisaram o Acordo de Livre Comércio da América do Norte.
Ao retornar ao governo após a eleição de 2024, Greer ajudou a elaborar listas de participantes e um memorando que permitiu ao presidente anunciar, já no primeiro dia de mandato, a intenção de usar tarifas para enfrentar mais de uma dúzia de problemas comerciais. A nomeação de Greer — aprovada em 26 de fevereiro de 2025 — teve apoio de Lighthizer e de Jared Kushner.
Trump recorreu a opções legais que permitem mudanças tarifárias imediatas, escolhendo a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA). Em fevereiro de 2025, a lei foi usada para declarar emergência relacionada ao fentanil e aplicar tarifas contra Canadá, México e China. Em abril, o presidente declarou déficits comerciais emergência e anunciou tarifas globais de até 50%, incluindo 34% sobre produtos chineses, gerando um choque comercial sem solução imediata.
As medidas desencadearam um intenso esforço diplomático. O escritório de Greer foi inundado por pedidos para evitar tarifas, levando-o a viajar mais de 160 mil quilômetros em 2025 e a negociar com múltiplos parceiros por dia. Para agilizar conversas, Greer criou modelos de temas de negociação e firmou acordos que incluíram redução de tarifas sobre produtos agrícolas e industriais e compromissos em políticas relacionadas a economias não totalmente de mercado. Muitos desses acordos ficaram em termos amplos, o que gerou disputas posteriores sobre detalhes.
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As negociações também foram complicadas pela atuação do Departamento de Comércio, liderado por Howard Lutnick, que impôs tarifas vinculadas à segurança nacional sobre setores como automóveis, farmacêuticos e aço. Países estrangeiros relataram avanços com o escritório do representante comercial, mas impasses com o Departamento de Comércio.
Novo ano pode trazer mais desafios para Greer
O futuro das medidas depende, em parte, de decisões judiciais: a Suprema Corte dos EUA avalia se muitas das tarifas permanecerão em vigor. Se forem derrubadas, caberá a Greer propor alternativas e preservar acordos firmados com Japão, El Salvador, Suíça e outros, caso dependam temporariamente das tarifas. A proximidade de eleições de meio de mandato e a pressão por conta do custo de vida podem levar o governo a recuar em algumas medidas.
Greer defende que o impacto das tarifas sobre os consumidores está diluído ao longo das cadeias globais de suprimentos e defende a ideia de “comércio administrado”, sustentando que cadeias de suprimentos mais seguras reduzirão a necessidade de intervenção estatal — posição contestada por muitos economistas. No momento, a administração segue negociando e ajustando a estratégia enquanto enfrenta incertezas legais e diplomáticas.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6