No final de 2019, uma executiva assumiu a liderança do time de insights de uma empresa de tecnologia com o plano de dedicar os primeiros 90 dias a conhecer a equipe. A chegada da pandemia, no entanto, alterou esse roteiro: demandas inéditas e urgência transformaram o ambiente de trabalho, aumentando a pressão por resultados rápidos.
Diante do cenário, a líder reconhece que adotou uma postura de microgestão para tentar controlar o imprevisível. Em números, a estratégia trouxe entregas de alta qualidade, reconhecimento e promoções. No aspecto humano, contudo, o relacionamento com a equipe se deteriorou e o grupo ficou desgastado.
O ponto de virada foi um retorno difícil: apesar de ser considerada uma high performer, esse desempenho deixou de ter valor no papel de liderança. Em resposta, o diretor propôs um desafio concreto — durante seis meses, ela deveria concentrar-se no projeto chamado “me tornar uma líder”.
Ao longo desse período, a executiva buscou cursos e mentorias e passou a valorizar a escuta como um pilar essencial na vida e no ambiente corporativo. Entre as referências citadas está o psicanalista Christian Dunker, que identifica o que chama de “desejo de surdez”: uma atenção colonizadora que ouve apenas para confirmar ideias ou afirmar autoridade.
Segundo essa visão, a escuta verdadeira exige um movimento de deslocamento pessoal — abandonar a posição de dono da razão e aceitar a incerteza, o que Dunker associa ao conceito do Abgrund, um lugar sem chão seguro onde o sentido precisa ser construído coletivamente. Calar-se, nessa ótica, abre espaço para que a comunicação autêntica ocorra, mesmo que deixe resíduos e mal-entendidos a serem acolhidos.
Para recompor a dimensão humana no trabalho, a líder passou a adotar pequenos combinados de presença no dia a dia. Entre as práticas estão:
Escolha estar inteiro: guardar o celular para não perder sinais da comunicação não verbal e o contexto humano;
Imagem: Divulgação
Acolha o outro: entrar na conversa sem resistência, oferecendo hospitalidade e respeito ao sentimento alheio e a disposição para ser transformado pelo que se ouve;
Habite a pausa: ouvir até o fim da fala e esperar alguns instantes antes de responder, aproveitando o silêncio para compreender em vez de reagir;
Seja curioso: substituir certezas por perguntas abertas, como “me conta mais sobre isso”, para impulsionar a co-criação em vez do monólogo.
A executiva conclui que liderança não se sustenta apenas em comando e controle, e que presença e escuta são necessárias para que o imponderável deixe de ser obstáculo e passe a ser caminho.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6