Transmissão: Band | Record
No 65º dia do confronto no Estreito de Ormuz, tripulações de centenas de navios permanecem retidas na rota marítima enquanto faltam alimentos e água a bordo. Em um petroleiro de bandeira chinesa, o oficial de navegação Shameem Sabbir buscava pela rádio uma resposta iraniana sobre quando poderia deixar a área, mas ouviu que a região era considerada perigosa e controlada pela Marinha do Irã.
O bloqueio transformou o Golfo Pérsico em uma espécie de prisão flutuante para cerca de 20 mil marítimos a bordo de mais de 800 embarcações que aguardam liberação. Muitos vêm de países como Síria, Indonésia, Filipinas, Índia, Bangladesh e Rússia e relatam condições que se deterioram, com estoques de provisões cada vez mais reduzidos e problemas médicos sem atendimento adequado.
Drones sobrevoam a área e detritos à deriva surgem de embarcações imobilizadas. Dentro dos navios, tripulantes tentam ocupar o tempo com jogos, filmes e conversas por videochamada, enquanto relatam ferimentos causados por ataques de mísseis ou drones iranianos, incêndios em embarcações próximas e emergências médicas a bordo.
Autoridades marítimas informaram que pelo menos dez marinheiros morreram desde o início do conflito e mais de 30 navios foram atingidos por drones e mísseis, segundo dados da Organização Marítima Internacional. A Marinha dos Estados Unidos chegou a lançar uma operação de resgate chamada “Operação Liberdade”, que foi interrompida após 36 horas.
Especialistas em transporte marítimo alertam que, com o tempo, aumentará o número de tripulações abandonadas por proprietários sem recursos, e que a gravidade de problemas de saúde a bordo tende a crescer. A Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes recebeu mais de 2 mil pedidos de ajuda, metade deles relacionados a salários atrasados; cerca de 200 envolvem falta de comida, água ou combustível, segundo o coordenador regional Mohamed Arrachedi.
Imagem: Navios no Estreito de Ormuz
Seguradoras e armadores evitam riscos: os prêmios de seguro para navios na região subiram até 32 vezes em relação aos níveis anteriores à guerra, gerando contas que podem chegar a US$ 8 milhões para um grande petroleiro. Além do perigo direto, tripulações relataram golpes financeiros — pedidos de pagamento a carteiras de criptomoedas atribuídas supostamente à Guarda Revolucionária Islâmica — e interferências em sinais de GPS que dificultam navegação segura.
Alguns comandantes afirmam que não podem mover suas embarcações por receio de minas navais e da ação da Guarda Revolucionária. O capitão Raman Kapoor, de um graneleiro com carga avaliada em cerca de US$ 70 milhões, disse que raciona alimentos e que a segurança ainda não permite tentativa de saída. Outro tripulante, Sagi Khant, afirmou que a presença armada iraniana mantém as embarcações em posição mesmo diante de contato com a Marinha dos EUA.
Em terra, a Organização Marítima Internacional e outros organismos fazem apelos para garantir passagem segura aos navios encalhados. Enquanto isso, nas embarcações, marinheiros procuram manter rotina mínima: leitura de manuais, exercícios no convés, celebrações improvisadas e contato limitado com familiares, enquanto esperam por uma solução que permita retomar rotas comerciais e encerrar o aprisionamento no estreito.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6