A Páscoa continua sendo uma data de grande impacto no varejo brasileiro e, ao mesmo tempo, um desafio para o orçamento das famílias. Um levantamento da corretora Rico revela que os preços dos produtos mais consumidos nessa época — como chocolates, bombons, açúcar e azeite — subiram bem acima da inflação oficial nos últimos cinco anos.

Segundo a análise, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025 o IPCA, indicador oficial de inflação ao consumidor, acumulou alta de 33,13%. No mesmo período, a chamada “cesta de Páscoa” apresentou aumento de 50,75%.

Em comparação mais recente, a dinâmica mostra leve alívio: nos 12 meses até janeiro de 2026 (fev/25 a jan/26, conforme a série), a cesta de Páscoa avançou 2,51%, abaixo do IPCA de 4,44% no período, indicando desaceleração inflacionária.

Inflação da cesta de Páscoa

O levantamento detalha as variações por categoria. No acumulado de cinco anos (jan/21 a dez/25) e no acumulado de 12 meses (fev/25 a jan/26), as mudanças foram:

Índice geral: 33,13% (5 anos) | 4,44% (12 meses)

Cesta de Páscoa: 50,75% (5 anos) | 2,51% (12 meses)

Açúcar cristal: 34,00% | -10,74%

Açúcar refinado: 57,51% | -4,76%

Azeite de oliva: 51,56% | -22,76%

Balas: 43,46% | 4,42%

Biscoito: 44,09% | 8,01%

Chocolate e achocolatado em pó: 85,10% | 19,06%

Chocolate em barra e bombom: 78,44% | 24,77%

Imagem: Divulgação

Frutas: 55,98% | 0,73%

Leite condensado: 35,60% | 2,67%

Manteiga: 32,77% | -5,53%

Pescados: 9,29% | -0,53%

Pressão sobre o chocolate

O chocolate aparece como destaque da alta: apesar da queda nas cotações internacionais do cacau em 2025, os preços do produto final seguem em elevação. Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico, aponta que parte dessa pressão decorre da defasagem no repasse de custos — muitos produtos à venda foram fabricados com insumos comprados em momentos de preços mais altos.

Além disso, a analista cita custos logísticos elevados, reajustes nas embalagens e efeitos na cadeia de produção, que tendem a influenciar o preço final do chocolate, especialmente em período de maior demanda como a Páscoa.

Azeite e sazonalidade

O azeite de oliva teve forte alta entre 2023 e 2024 após quebras de safra na Europa, mas os preços reduziram recentemente com a recuperação da produção europeia, refletindo em quedas no varejo.

Outro fator que impacta os preços na véspera da data é a sazonalidade: a procura por chocolates, balas e açúcar aumenta nos meses que antecedem a Páscoa, levando fabricantes e varejistas a ajustes de preço pelo clássico efeito de oferta e demanda.

Maria Giulia também relaciona a desaceleração recente da inflação com fatores macroeconômicos, como a política monetária restritiva e a taxa de juros em 15%, além da apreciação cambial observada desde o ano passado e da maior oferta global de alguns alimentos.

Esses elementos conjunturais e sazonais ajudam a explicar por que determinados itens típicos da Páscoa registraram aumentos muito acima da inflação média do país nos últimos cinco anos.

Com informações de Borainvestir.b3