O mercado mundial de publicidade está em plena transformação e, conforme o estudo Global Entertainment & Media Outlook, da PwC, deve alcançar US$ 1,4 trilhão até 2030. O relatório aponta a inteligência artificial, alterações no consumo de mídia e a valorização de experiências presenciais como os principais vetores dessa mudança.
Com projeção de crescimento médio anual de 5,6%, a publicidade tende a assumir papel central na economia global de entretenimento e mídia, crescendo em ritmo superior ao consumo direto pelos usuários. Segundo a PwC, essa dinâmica reflete uma alteração estrutural do comportamento do consumidor, que passa a exigir simultaneamente acesso digital, campanhas altamente personalizadas por IA e vivências presenciais mais imersivas.
No Brasil, a transformação ganha contornos urbanos e institucionais: as cidades começaram a ser encaradas como plataformas ativas de comunicação, em que dados, mobilidade e serviços públicos se tornam elementos integrados na captação da atenção dos cidadãos. Esse movimento surge em um contexto de saturação de telas e fragmentação da atenção.
A diretora de Publicidade da Prefeitura de Salvador, Lília Lopes, defende uma mudança de paradigma na comunicação institucional. Ela afirma que cidades e marcas públicas devem produzir conteúdo nativo e relevante, em vez de insistir em formatos de interrupção comercial, e que a comunicação precisa estar incorporada ao funcionamento da cidade, com dados, mobilidade, serviços e espaços públicos atuando como pontos de contato com o cidadão.
A inteligência artificial é identificada pela PwC como um eixo estruturante: a hiperpersonalização de mensagens deve aumentar a eficiência na entrega e a segmentação de públicos. O debate avança também para usos da IA na leitura de dinâmicas urbanas e na articulação entre comunicação pública e experiências presenciais, formando sistemas híbridos entre ambientes digitais e físicos.
Imagem: Francisco Moreira
Lília Lopes ressalta o desafio de conciliar tecnologia e relevância social. Para ela, embora as ferramentas de IA possam sofisticar a publicidade, é necessário aliar eficiência na entrega a um conteúdo que tenha valor social, à medida que a tecnologia aproxima o cidadão da cidade e potencialmente revaloriza encontros presenciais e experiências coletivas.
O crescimento de eventos ao vivo, festivais e ativações urbanas é citado como indicativo de uma reorganização do ecossistema de comunicação no pós-pandemia, em que o digital não substitui o físico, mas passa a coexistir de modo mais equilibrado. Nesse cenário, publicidade, cidades e inteligência artificial deixam de operar separadamente e se integram em uma arquitetura única de atenção distribuída entre telas, ruas e experiências coletivas.
Com informações de Portalin

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6