Uma nova análise oficial confirma diferença salarial significativa entre gêneros no Brasil: trabalhadoras ganham, em média, 21,2% menos do que os homens em empresas com 100 ou mais funcionários, o que equivale a R$ 1.049,67 por mês. O dado consta do 4º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios, elaborado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com o Ministério das Mulheres.
O estudo considerou 19.423.144 vínculos empregatícios formais registrados na RAIS. Do total, 30% correspondem a mulheres e 70% a homens. Foram analisadas 54.041 empresas com 100 ou mais empregados, nas quais a remuneração média feminina ficou em R$ 3.908,76, frente a R$ 4.958,43 dos homens.
As empresas consultadas apontaram como principais explicações para as diferenças salariais o tempo de experiência na organização (citado por 78,7% das empresas), o cumprimento de metas de produção (64,9%) e a existência de planos de cargos e salários (56,4%).
A representante da ONU Mulheres em Brasília, Ana Querino, afirmou que o quadro brasileiro acompanha uma tendência global de desigualdade salarial próxima a 20%. Ela destacou ainda que a situação é mais grave para mulheres negras, que têm rendimento 46% inferior ao de homens brancos.
Participação feminina
Apesar da disparidade salarial, a presença de mulheres no mercado de trabalho avançou: a proporção de ocupação feminina subiu de 40% em 2023 para 41,1% em 2025, com aumento do número de trabalhadoras de 7,2 milhões para 8 milhões. A massa de rendimentos femininos passou a representar 35% do total, ainda abaixo da participação na ocupação; segundo o relatório, se esse percentual acompanhasse os 41,1% a economia poderia ter um acréscimo estimado de R$ 92,7 bilhões.
Dados do IBGE mostram que, entre o segundo trimestre de 2016 e o mesmo período de 2025, o total de mulheres ocupadas cresceu de 37,9 milhões para 44,6 milhões, enquanto o número de homens ocupados avançou de 51,9 milhões para 57,7 milhões.
Diferenças por raça e porte de empresa
O relatório indica que 39% das mulheres trabalham em empresas com mais de mil empregados, percentual superior ao dos homens nesse grupo (33,9%). As desigualdades salariais se acentuam por raça: a diferença entre os salários medianos de admissão de mulheres negras e homens não negros chega a 33,5%, e a distância na remuneração média atinge 53,3%.
Imagem: Deagreez via Getty Images
Houve aumento no número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras no quadro de pessoal, que passou de 29 mil para 35 mil. Também cresceu o total de empresas com diferença salarial de até 5% entre homens e mulheres.
Estados com maior e menor disparidade
Paraná e Rio de Janeiro registraram as maiores lacunas salariais, ambas de 28,5%. Em seguida aparecem Santa Catarina e Mato Grosso (27,9%) e Espírito Santo (26,9%). As menores desigualdades foram observadas no Piauí, Amapá, Acre, Distrito Federal, Ceará e Pernambuco, com variação entre 7,2% e 10,4%.
Fiscalização e ações de diversidade
Em 2025, a fiscalização do Ministério do Trabalho realizou 787 ações que alcançaram cerca de um milhão de trabalhadores e resultaram na emissão de 154 autos de infração. As empresas abrangidas devem comprovar a divulgação do Relatório de Igualdade Salarial; em outubro, 38.233 organizações acessaram o documento.
No âmbito de políticas voltadas à parentalidade, 44% das empresas relataram oferecer flexibilidade de jornada, 20,9% informaram licenças parentais estendidas e 21,9% declararam auxílio-creche. Entre as ações internas apontadas pelas organizações estão promoção de mulheres e incentivo à contratação de grupos como mulheres negras, pessoas com deficiência, mulheres chefes de família, indígenas e vítimas de violência.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6