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Três petroleiros classificados como parte da chamada “frota fantasma” e que haviam carregado petróleo venezuelano antes da destituição de Nicolás Maduro continuam encalhados na costa da Venezuela, segundo relatório do governo citado pela Bloomberg. As embarcações permanecem a menos de 10 milhas (cerca de 18,5 km) da costa do país.

Navios fantasmas são petroleiros que operam fora das regras para driblar sanções: normalmente desativam sistemas de rastreamento, mudam nomes ou bandeiras e recorrem a empresas de fachada para ocultar origem e destino da carga. No caso venezuelano, esses navios foram responsáveis por mais da metade das exportações do país em um período anterior, com destino principalmente a compradores na Ásia.

Os navios Romana, MS Melenia e Galaxy 3 somaram, segundo dados, cerca de 5 milhões de barris de petróleo bruto carregados em meados de dezembro. Apesar da apreensão do petroleiro Skipper pelas forças navais dos EUA em 10 de dezembro, as três embarcações permaneceram no local e não partiram, inclusive após a queda de Maduro semanas depois.

Os registros indicam que o trio não transmite sua posição há meses, o que aponta para a prática comum de desligar transponders para evitar detecção. Imagens de satélite e dados oficiais colocam os navios em uma área de ancoragem próxima ao Terminal de José, principal terminal de exportação de petróleo da Venezuela, controlado pelo governo.

Analistas e traders vinham tentando há meses estimar quantos petroleiros desse tipo ainda estavam no país, à medida que a oferta global de petróleo se apertou — cenário agravado pelo quase fechamento do Estreito de Ormuz e pela guerra com o Irã —, elevando o valor de cada barril. Petróleos pesados e com alto teor de enxofre, como os venezuelanos, seguem mais baratos que os leves, mas atualmente são negociados acima de US$ 100.

Imagem: Getty Images

Não há clareza sobre o motivo pelo qual esses três navios permaneceram parados enquanto outros membros da frota fantasma reapareceram transportando petróleo em conformidade com as regras dos Estados Unidos. Hoje, a maior parte das exportações de petróleo venezuelano é conduzida por empresas como a Chevron e as tradings Vitol e Trafigura, que receberam licença da administração Trump para ajudar a comercializar até 50 milhões de barris.





Os navios encalhados seguem como indício das dificuldades que a indústria petrolífera venezuelana enfrenta para se desvincular de práticas usadas para escapar a sanções, mesmo após mudanças no cenário político e no regime de sanções internacionais.

Com informações de Investnews