Uma amizade entre dois cientistas do século XVII teve papel decisivo na formação da física moderna. Em agosto de 1684, o astrônomo Edmond Halley visitou Cambridge e conversou com o professor Isaac Newton, dando início a uma série de eventos que culminariam na publicação do Philosophiæ Naturalis Principia Mathematica, obra que unificou as leis do movimento e a Lei da Gravitação Universal.

Quem, o que e quando

Em 2011 a ONU instituiu o dia 30 de julho como o Dia Internacional da Amizade, lembrando o papel das relações humanas na promoção da paz. No contexto científico, a parceria entre Halley e Newton ilustra como a colaboração pode acelerar descobertas. A história começa quando, em agosto de 1684, Halley perguntou a Newton qual seria a trajetória dos planetas se a força do Sol diminuísse com o quadrado da distância. Newton respondeu que seria uma elipse e afirmou já ter demonstrado isso.

Como a amizade levou ao Principia

Newton enviou a Halley, alguns meses depois, um manuscrito curto intitulado De Motu (“Sobre o Movimento dos Corpos”). Halley entendeu a importância das ideias e insistiu para que Newton as desenvolvesse e publicasse. Na época, Newton mantinha distância da Royal Society desde um confronto, ocorrido cerca de dez anos antes, com Robert Hooke, que havia criticado seu trabalho sobre a natureza da luz. Halley atuou como incentivador e revisor, intermediando a apresentação do trabalho à Royal Society.

A publicação enfrentou obstáculos: acusações de plágio por parte de Hooke — então secretário da Royal Society — quase fizeram Newton desistir de publicar a seção sobre gravitação. Além disso, a entidade tinha problemas financeiros: parte do orçamento havia sido gasta na impressão de um tratado sobre peixes. Para viabilizar a edição, Halley pagou do próprio bolso a impressão do livro de Newton.

Impacto e desdobramentos

O Principia reuniu as três leis do movimento e a Lei da Gravitação Universal, explicando que a mesma força que faz uma maçã cair também mantém a Lua e os planetas em órbita. As leis newtonianas serviram como base da física e da astronomia por séculos e ainda hoje são amplamente usadas para calcular órbitas de satélites, trajetórias de sondas e manobras espaciais, com a Relatividade de Einstein aparecendo apenas em situações extremas.

Newton e Halley: como a amizade entre os dois mudou a história da ciência

Imagem: Divulgação

Halley também se beneficiou da colaboração: foi o primeiro a aplicar as leis do Principia para prever um eclipse solar em 1715, mapeando a sombra da Lua, e usou a mecânica newtoniana para estudar órbitas de cometas. Ao analisar registros históricos, concluiu que vários cometas observados ao longo dos séculos eram o mesmo objeto retornando periodicamente. Calculou que esse cometa regressaria em 1758 e apontou a região do céu onde seria visível; não viveu para ver a confirmação, e o corpo acabou batizado com seu nome.

Além do legado científico, a relação entre Newton e Halley exemplifica o papel da confiança, do incentivo e da colaboração na divulgação de ideias científicas.

Com informações de Olhardigital