Uma pesquisadora e professora universitária relata que, ao se tornar mãe, passou a fechar a porta do próprio escritório para ganhar tempo e concluir tarefas dentro de uma janela rígida de compromissos familiares. Segundo ela, a mudança não foi anunciada: foi uma medida prática para evitar interrupções que consumiam minutos preciosos.

A profissional, que trabalhava em uma escola de negócios no início da carreira acadêmica, descreve que antes do nascimento da filha mantinha a porta entreaberta por convicção profissional — as conversas informais nos corredores geravam ideias, construíam boa vontade e ajudavam a formar trajetórias profissionais.

Quem, o que e por que

Depois da licença maternidade, a pesquisadora voltou seu foco para um estudo próprio, a chamada “autopesquisa”, sobre mães que retornam ao trabalho. Em questionários com respostas abertas, ela e colegas identificaram um padrão consistente: muitas mulheres afirmaram adotar o que uma participante definiu como “eficiência implacável” para conciliar demandas profissionais e horários rígidos de cuidado infantil.

Essa postura envolvia reduzir conversas casuais, evitar estender almoços ou eventos sociais e priorizar apenas interações consideradas estritamente necessárias. Para essas mulheres, a capacidade de produzir rapidamente tornou-se essencial para manter o emprego durante um período conhecido por tornar a continuidade na carreira mais precária.

Perdas e ganhos

Os autores do estudo reconhecem que a eficiência desenvolvida nessas circunstâncias pode ser uma habilidade transferível e até vantajosa para as organizações. No entanto, também documentaram perdas significativas: relacionamentos profissionais enfraquecidos, redes informais desgastadas e oportunidades de avanço que deixaram de surgir por falta de tempo para conversas e trocas informais.

Uma participante sintetizou o dilema: ela ganhou eficiência em tarefas visíveis, mas deixou de investir em iniciativas que poderiam impulsionar sua carreira.

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Eficiência sustentável x implacável

A reportagem distingue dois tipos de eficiência. A eficiência sustentável aparece quando processos desnecessários são eliminados, burocracias cortadas ou tarefas automatizadas, liberando atenção para atividades em que o humano é insubstituível. Já a eficiência implacável implica economizar tempo às custas de relacionamentos, deliberações protetivas ou da qualidade do trabalho, privilegiando ganhos de curto prazo sem ponderar perdas futuras.

Os autores citam ainda a tradição taylorista de eliminar tempo ocioso nas organizações e lembram que, para trabalho criativo e de conhecimento, momentos de ócio podem ser o terreno onde surgem insights. A pesquisadora admite que ainda fecha a porta do escritório quando necessário, mas agora procura avaliar conscientemente o que perde com essa escolha.

Ela reforça que a questão não é abandonar a eficiência, mas reconhecer o preço que se paga por ela.

Com informações de Fastcompanybrasil