Um estudo recente publicado no periódico de neurociência JNeurosci concluiu que a prática de observar pássaros modifica tanto a função quanto a estrutura do cérebro, evidenciando neuroplasticidade e um potencial aumento nas habilidades cognitivas, especialmente entre observadores experientes.

O que é neuroplasticidade

Segundo a Psychology Today, neuroplasticidade é o processo pelo qual o cérebro aprende, forma memórias e se adapta a novas experiências ou traumas. Pesquisas indicam que, embora as maiores transformações ocorram na infância, o cérebro continua capaz de reorganizar conexões ao longo da vida.

Dados e metodologia

O trabalho comparou imagens cerebrais de 58 adultos: 29 observadores de pássaros considerados experientes, com idades entre 24 e 75 anos, e 29 iniciantes em faixas etárias semelhantes. As análises por ressonância magnética mostraram que os participantes com maior experiência em observação apresentaram densidade aumentada em regiões vinculadas à percepção e à atenção, em relação aos novatos.

Os pesquisadores não classificaram os grupos com base na idade, mas sim pelo nível de conhecimento e prática na atividade de observação de aves.

Por que observar aves afeta o cérebro

A observação de pássaros exige concentração intensa e a habilidade de diferenciar espécies por sinais visuais e auditivos, o que configura um treino cognitivo prolongado. De acordo com os autores, esse tipo de exigência mental pode provocar mudanças na atividade e na estrutura cerebral semelhantes às observadas em músicos ou atletas de alto desempenho, que também submetem o cérebro a treinamento extensivo.

Os autores do estudo sugerem que, embora a prática não impeça o envelhecimento cerebral, ela pode contribuir para reduzir o declínio cognitivo associado à idade ao fortalecer regiões cerebrais ligadas à atenção e à percepção.

Observar pássaros pode mudar a estrutura do cérebro e melhorar habilidades cognitivas, aponta estudo

Imagem: Divulgação

Entre as observações dos pesquisadores, está a ideia de que cérebros adultos mantêm capacidade de adaptação: “nossos cérebros são muito maleáveis”, afirmou o pesquisador principal Erik Wing, pesquisador associado da Universidade de York, em Toronto.

O estudo reforça a noção de que atividades que exigem treino perceptivo e atencional podem promover mudanças estruturais no cérebro ao longo da vida, sem, contudo, garantir a prevenção completa dos efeitos do envelhecimento cerebral.

Com informações de Fastcompanybrasil